NewsHub
Mundo

Porta-aviões dos EUA atraca na Tailândia após recorde de 9 meses no mar

Após 286 dias em alto mar e polêmicas sobre a saúde mental da tripulação, o porta-aviões USS Abraham Lincoln atraca na Tailândia para um descanso de cinco dias.

Redação•02 de set. de 2026, 16:30
Porta-aviões dos EUA atraca na Tailândia após recorde de 9 meses no mar
Imagem: site

Porta-aviões dos EUA atraca na Tailândia após recorde de 9 meses no mar

Ouça esta matéria em voz alta

Chegada à Tailândia e pausa para a tripulação

O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, que gerou controvérsias devido às condições enfrentadas por sua tripulação durante um destacamento de mais de nove meses no Estreito de Ormuz, chegou a um porto tailandês nesta quarta-feira, 2. O enorme navio de propulsão nuclear atracou no porto de Laem Chabang, ao sul da capital Bangcoc, após passar 286 dias em alto mar.

Os quase 5 mil tripulantes têm permissão para passar cinco dias no balneário de Pattaya, um destino popular de férias para as tropas americanas desde a Guerra do Vietnã. A chegada dos marinheiros gerou muita expectativa no comércio local. "Estamos todos muito animados; haverá muito movimento", disse Anthony Jones, conhecido como "A.J.", um músico neozelandês que se apresenta no bar M’s Mojito.

Histórico da missão e tensões geopolíticas

O USS Abraham Lincoln partiu da Califórnia em novembro de 2025 para uma missão no Mar do Sul da China, mas foi desviado para o Oriente Médio antes dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que desencadearam uma guerra regional há seis meses. Relatos sobre a deterioração das condições de vida e questões de saúde mental a bordo, incluindo tentativas de suicídio, reacenderam as críticas ao conflito bélico do presidente Donald Trump com a república islâmica.

Em Pattaya, a preparação para receber os militares foi intensa. Vários militares vestidos com trajes civis foram homenageados em uma cerimônia, relatando que suas prioridades eram "comida, descanso e água". O capitão Dan Keeler, comandante da missão, afirmou que este é "um descanso bem merecido para toda a tripulação".

Impacto econômico e restrições locais

A americana Shakeira Fairfax viajou de Nova Jersey para Pattaya para encontrar sua filha, Jada, uma militar que completou 25 anos a bordo do navio. "É a primeira vez que ela fica tanto tempo em um espaço tão reduzido", contou Shakeira, listando que os objetivos da filha na cidade são fazer as unhas e receber massagens.

As autoridades locais de Pattaya, no entanto, impuseram restrições. Segundo a imprensa local, a tripulação foi proibida de acessar áreas conhecidas pela vida noturna e turismo sexual. O prefeito Poramase Ngampiches alertou que os militares também estão proibidos de praticar esportes aquáticos e consumir maconha, incentivando visitas a shoppings e monumentos. O prefeito negou que operações recentes contra profissionais do sexo estivessem relacionadas aos americanos. A expectativa é de um impacto econômico de US$ 3,1 milhões (cerca de R$ 16 milhões) até domingo.

Investigações e denúncias sobre condições a bordo

Nos Estados Unidos, congressistas democratas pediram uma investigação sobre as condições no USS Abraham Lincoln, citando escassez de alimentos e problemas de infraestrutura. O veículo Navy Times relatou que ao menos dois marinheiros teriam tentado suicídio saltando ao mar. Enquanto Donald Trump minimizou os relatos, o secretário-adjunto interino da Marinha, Hung Cao, reconheceu casos de saúde mental, mas afirmou que nenhuma morte foi relatada durante o período excepcionalmente longo da viagem.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/antes-em-ormuz-porta-avioes-dos-eua-atraca-na-tailandia-apos-recorde-de-9-meses-no-mar/

Compartilhar