Expansão estratégica no Rio de Janeiro
Mesmo diante de tensões geopolíticas globais e da disparada nos preços dos fertilizantes, o Porto do Açu, situado no norte do Rio de Janeiro, reafirma sua aposta neste mercado como uma frente de crescimento estratégica. A administração do complexo acredita que o agronegócio brasileiro manterá uma demanda elevada, exigindo infraestrutura robusta para recepção e distribuição.
Novo terminal de grãos
A estratégia inclui a construção de um novo terminal de grãos, com início de operação previsto para 2028. O investimento inicial é de US$ 90 milhões, podendo receber um aporte adicional de US$ 100 milhões para a implantação de um berço dedicado. A meta é atender mercados como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, movimentando soja, milho, café e fertilizantes. A projeção inicial é de 1 milhão de toneladas, evoluindo para 2,5 milhões de toneladas ao ano, com potencial de atingir 9 milhões após a operação da ferrovia EF-188.
Dependência de importações
João Braz, diretor de Terminais e Logística do Porto do Açu, ressalta que o Brasil importa cerca de 90% dos fertilizantes que utiliza. Segundo ele, o produto continuará sendo essencial independentemente das turbulências internacionais. O conflito atual já elevou o preço do enxofre — insumo crucial — de cerca de US$ 160 por tonelada para US$ 1.200.
Polo de distribuição e produção
O Porto do Açu já realizou sua primeira importação de enxofre e planeja tornar-se um polo distribuidor com capacidade para 300 mil toneladas, atendendo a uma parcela significativa do mercado nacional, que movimenta 2 milhões de toneladas anuais. Além da distribuição, o complexo estuda avançar na cadeia produtiva de fertilizantes fosfatados, aproveitando sua infraestrutura existente de tancagem de ácido sulfúrico.
