A menos de dois meses para as eleições de meio de mandato, cresce a apreensão entre os democratas nos Estados Unidos sobre uma eventual presença de agentes federais de imigração ou tropas militares nos locais de votação. As declarações de membros da administração do presidente Donald Trump sobre o tema têm sido divergentes, alimentando o debate sobre a legalidade e as intenções por trás de uma possível mobilização.
Posicionamento das autoridades
O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, afirmou em carta à senadora democrata Elissa Slotkin que não existem planos para o envio de tropas das Forças Armadas ou da Guarda Nacional federalizada às seções eleitorais, nem para a apreensão de materiais de votação. De forma semelhante, Tom Homan, responsável pela política de fronteiras da Casa Branca, negou a existência de planos operacionais para realizar ações de fiscalização migratória nos locais de votação.
Em contraste, o diretor do FBI, Kash Patel, recusou-se a descartar a presença de agentes sob seu comando nos locais de votação durante uma audiência, questionando a ilegalidade da medida. Já o Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, indicou que agentes do ICE poderiam comparecer aos locais de votação sob "circunstâncias específicas", como no cumprimento de mandados ou em resposta a ameaças diretas. Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna reforçou que não há planos para operações específicas nessas áreas, mas ressaltou a disponibilidade de agentes para responder a incidentes, caso sejam solicitados por autoridades locais.
Controvérsias e marco legal
David Becker, diretor executivo do Center for Election Innovation & Research, alertou que qualquer tentativa de enviar tropas ou homens armados aos locais de votação violaria a seção 592 do título 18 do Código dos EUA. Segundo ele, o envio de agentes pode ser uma estratégia para intimidar eleitores e desestimular a participação nas urnas.
O próprio Donald Trump não confirmou o envio de forças, mas declarou que faria "o que fosse necessário para garantir eleições honestas". O presidente tem questionado repetidamente a segurança do sistema eleitoral, promovendo ações como decretos para exigir comprovação de cidadania e limitações ao voto por correio, muitas das quais enfrentaram barreiras judiciais.
