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Postura dos EUA em relação às eleições brasileiras carece de evidência palpável, aponta análise

Especialista avalia que suspensão de serviços em embaixadas estrangeiras no Brasil ocorre sem evidências públicas palpáveis.

Redação•02 de out. de 2026, 20:33
Postura dos EUA em relação às eleições brasileiras carece de evidência palpável, aponta análise
Imagem: site

Postura dos EUA em relação às eleições brasileiras carece de evidência palpável, aponta análise

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Às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, os governos dos Estados Unidos e da Austrália suspenderam os serviços de suas embaixadas no Brasil. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (2), enquanto o Reino Unido optou por emitir um alerta recomendando que cidadãos britânicos evitem eventos políticos durante o período eleitoral.

A Polícia Federal informou que cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e na região do Distrito Federal para investigar um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas norte-americanas no país. De acordo com nota oficial da corporação, a medida tem caráter preventivo e integra uma investigação sigilosa realizada em cooperação com agências de inteligência estrangeiras.

Em análise transmitida pelo programa CNN 360°, a especialista em internacional Fernanda Magnotta pontuou que orientações de cautela eleitoral são comuns em contextos de eleições polarizadas. Segundo ela, o Reino Unido seguiu um protocolo padrão adotado globalmente em eventos significativos. Contudo, Magnotta destacou que a postura dos Estados Unidos se diferencia pela intensidade, pelo tom, pela gradação e pelo momento em que foi adotada.

A analista comparou a situação atual com um precedente de 2020, quando os EUA encerraram atividades diplomáticas na Turquia diante de ameaças públicas e críveis de violência e sequestro contra diplomatas. “O caso brasileiro é diferente porque não vem apresentado com nenhuma evidência palpável, pelo menos ao grande público, nesse momento”, avaliou.

Sobre o fechamento da embaixada da Austrália, que justificou a medida citando ameaças de terrorismo e crimes violentos no Brasil, Magnotta levantou duas hipóteses. A primeira aponta para um excesso de cautela, visto que a representação australiana fica a cerca de um quilômetro da embaixada norte-americana. A segunda hipótese envolve o Five Eyes, rede de cooperação de segurança e inteligência que inclui os Estados Unidos, a Austrália, o Reino Unido, o Canadá e a Nova Zelândia. Para a analista, a proximidade temporal das decisões pode sugerir mapeamentos de inteligência nos bastidores do grupo, embora ressalte que a medida já configura um fato político relevante que cria um novo enquadramento de risco para o Brasil.

A Polícia Federal informou que, até o momento, não encontrou elementos que comprovem os riscos apontados nem identificou suspeitos ligados a organizações criminosas. As diligências continuam com a análise de mídias e equipamentos de comunicação apreendidos. Em paralelo, a Polícia Militar do Distrito Federal enviou tropas especializadas para o setor de embaixadas em Brasília a pedido da representação dos Estados Unidos. O efetivo atuará por tempo indeterminado, e a corporação policial afirmou que a embaixada não detalhou a natureza exata da ameaça.

No cenário político, Fernanda Magnotta apontou que a medida americana ocorre em um momento de relações não harmoniosas e de divergências entre os candidatos à presidência em relação aos EUA. Questionado por um repórter na Casa Branca sobre um possível apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Donald Trump evitou declarações diretas, ponderando que, em uma disputa acirrada, caso o presidente Lula seja reeleito, será com ele que o governo norte-americano precisará se relacionar.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/analise-postura-dos-eua-em-relacao-a-eleicao-nao-tem-evidencia-palpavel/

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