A postura corporal não está apenas relacionada à forma como somos percebidos socialmente, mas também influencia diretamente nosso estado emocional e saúde mental. Segundo pesquisas, a maneira como nos posicionamos fisicamente pode estar associada a sentimentos como tristeza, ansiedade e depressão, em um fenômeno conhecido como feedback corporal.
Corpo e mente: uma relação bidirecional
Estudos da Universidade de São Paulo (USP) indicam que a postura não apenas reflete emoções, mas também pode influenciá-las. Uma postura encurvada ou retraída, por exemplo, está associada a estados emocionais negativos, enquanto uma postura ereta pode favorecer o bem-estar. A psicóloga Priscila Brust-Renck, doutora em Psicologia e professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP), explica que alterações na postura podem estar diretamente ligadas a relatos de depressão.
“Um indivíduo que apresenta uma postura curvada e deprimida por um longo tempo pode futuramente vir a desenvolver depressão em comparação com indivíduos que têm uma postura mais expansiva e ereta”, afirmou a especialista.
Interocepção: o papel dos sinais internos
A relação entre corpo e emoções não é unidirecional. Sentimentos como tristeza ou ansiedade podem modificar a postura, mas o inverso também ocorre: a postura adotada pelo corpo envia informações ao cérebro, influenciando a experiência emocional. Essa comunicação envolve sinais internos, como respiração, batimentos cardíacos e tensão muscular, processo conhecido como interocepção.
“Quando adotamos uma postura ereta, aumentamos a precisão com que percebemos o nosso estado corporal interno e conseguimos engajar a nossa atenção em relação ao nosso corpo e às nossas posturas, evitando diretamente uma postura curvada ou encolhida”, explicou Priscila.
