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Economia

Preço global do diesel deve continuar alto apesar de acordo entre EUA e Rússia

Acordo entre EUA e Rússia para fornecimento de diesel não deve reduzir preços globais do combustível, apontam analistas e agentes do mercado.

Redação•21 de out. de 2026, 13:30
Preço global do diesel deve continuar alto apesar de acordo entre EUA e Rússia
Imagem: site

Preço global do diesel deve continuar alto apesar de acordo entre EUA e Rússia

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O acordo firmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a Rússia para o fornecimento de diesel aos mercados americano e global não deve provocar uma queda significativa nos preços do combustível. A avaliação é de analistas e agentes do mercado, que apontam que os volumes prometidos são muito pequenos para solucionar a escassez mundial de oferta.

Os preços do diesel atingiram patamares recordes durante o conflito envolvendo os EUA e Israel contra o Irã, gerando um desafio político para Trump e o Partido Republicano, que disputam a manutenção de suas estreitas maiorias no Congresso nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro.

Críticos da medida argumentam que a suspensão das sanções ao diesel russo pode auxiliar Moscou a financiar novos ataques à Ucrânia, enfraquecendo anos de iniciativas para limitar as receitas energéticas russas e elevando o risco de lucro para o Kremlin, enquanto os consumidores recebem pouco alívio diante dos custos elevados.

Metas ambiciosas e ceticismo do mercado

Trump declarou que a Rússia exportaria inicialmente 300 mil toneladas (equivalentes a 2,25 milhões de barris), seguidas por 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas logo em seguida. Contudo, especialistas apontam que a Rússia pode não conseguir produzir excedentes suficientes no curto prazo para cumprir tais metas, além de encontrar dificuldades logísticas devido a um mercado global de petroleiros sobrecarregado.

Em setembro, os preços de varejo do diesel nos EUA superaram US$ 6 por galão pela primeira vez na história, permanecendo acima desse patamar desde então.

  • Michelle Brouhard (Kpler): Afirmou que seriam necessários 400 mil barris diários adicionais de diesel para aliviar de forma expressiva os preços atuais, enquanto o lote inicial de cerca de 2,2 milhões de barris representaria apenas cerca de 73 mil barris por dia se distribuído ao longo de um mês.
  • Caspian Conran (Baringa): Estimou que o mercado necessitaria de um volume extra de 850 mil barris por dia para gerar uma redução imediata nas cotações.

Inicialmente, Trump afirmou que a Rússia destinaria o diesel diretamente aos mercados americano e global. Posteriormente, o presidente americano indicou que as cargas russas seriam liberadas para os mercados globais, gerando incertezas sobre o cumprimento da promessa de abastecimento interno.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou no fim de semana que o diesel negociado por Vladimir Putin seria direcionado ao mercado global de qualquer maneira, sendo a única diferença a parcela que os EUA receberiam. Por sua vez, a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou que Trump anunciou volumes massivos de diesel russo para abastecer mercados globais e reduzir os preços interno e externo, destacando que o presidente segue garantindo acordos benéficos para o país e para o mundo.

Refino sob pressão e custos de frete

A capacidade da Rússia de ampliar rapidamente suas exportações de diesel permanece incerta devido à oferta limitada e aos altos custos de frete. Dados de transporte marítimo indicam que algumas cargas russas retornaram a destinos tradicionais, com pelo menos dois navios-tanque sinalizando rotas para a Turquia e o Brasil, após Washington suspender sanções e assegurar o encerramento da proibição de exportação. A Rússia retomou carregamentos a partir do porto báltico de Primorsk.

Interrupções nas exportações de diesel da Rússia — segundo maior exportador mundial, atrás apenas dos EUA — e do Oriente Médio alcançaram 1,3 milhão de barris por dia em setembro, o equivalente a cerca de 4,5% da demanda global por diesel e gasóleo. A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou que a escassez pode persistir até 2027.

Mary Melton, analista da Braemar, questionou a capacidade das refinarias russas de suportar uma alta nas exportações, visto que estimativas apontam que até 45% da capacidade de refino do país está inoperante. Segundo a Fundação de Pesquisa em Política Energética, para entregar os volumes anunciados além do fluxo atual, a Rússia precisaria produzir entre 384 mil e 509 mil barris diários adicionais. O país produz atualmente cerca de 1,4 milhão de barris por dia e consome aproximadamente 1,2 milhão internamente, deixando margem reduzida para exportação. Traders apontam que a nação tem importado destilados.

A Ucrânia retomou ataques a refinarias russas, incluindo uma unidade na região de Ryazan. Adicionalmente, as taxas de frete para o transporte de petróleo e combustíveis russos subiram acentuadamente devido aos riscos de segurança no Mar Negro e à restrição no mercado de petroleiros. Operadores evitam transportar diesel russo em alguns casos pelo receio de que futuros clientes rejeitem embarcações associadas a cargas previamente sancionadas, visto que outros países ocidentais mantêm restrições ativas, conforme destacou uma fonte de uma empresa proprietária de petroleiros.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/preco-global-do-diesel-deve-permanecer-alto-apesar-do-acordo-eua-russia/

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