A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, anunciou a reformulação de seu gabinete mantendo ministros fundamentais, com o objetivo de acelerar as políticas voltadas para o crescimento econômico e implementar seus planos de gastos. A manutenção de aliados, como o ministro da Economia Minoru Kiuchi e a ministra das Finanças Satsuki Katayama, sinaliza a determinação da premiê em conduzir sua estratégia fiscal, que tem enfrentado críticas devido à elevada dívida pública do país.
As políticas de Takaichi geraram controvérsias e repercussões internacionais, incluindo reações dos Estados Unidos e ondas de vendas de títulos motivadas por sua decisão de aplicar um corte de impostos de dois anos sobre produtos alimentícios. Em coletiva de imprensa, a chefe de governo descartou preocupações sobre a sustentabilidade do corte tributário, afirmando contar com um caminho claro para o financiamento sem recorrer a títulos para cobrir o déficit.
Minoru Kiuchi, reconduzido ao cargo de ministro da Economia, terá a incumbência de detalhar a estratégia de crescimento e aprimorar o diálogo com o mercado financeiro. Segundo Takaichi, o novo gabinete buscará ampliar investimentos, lucros corporativos e a renda das famílias para elevar a arrecadação de impostos, ressaltando que a sustentabilidade fiscal depende do crescimento econômico.
A permanência de Satsuki Katayama no comando do Ministério das Finanças foi interpretada de forma positiva pelos mercados de títulos, que mantêm cautela diante da perspectiva de expansão nos gastos do governo e da emissão de dívida. Katayama teve atuação de destaque em negociações recentes com o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a respeito da intervenção conjunta no iene.
A remodelação ministerial também incluiu a integração de membros do Partido da Inovação do Japão, parceiro de coligação do Partido Liberal Democrático (PLD), com a nomeação de Hiroshi Nakatsuka para a pasta de reforma regulatória. Outros nomes de destaque, como o ministro das Relações Exteriores Toshimitsu Motegi e o ministro da Defesa Shinjiro Koizumi, foram mantidos em suas posições.
O cenário econômico japonês apresenta desafios adicionais, como o rendimento dos títulos de referência de 10 anos atingindo o patamar mais alto em trinta anos e a dívida pública alcançando o dobro do tamanho da economia nacional. Além disso, o Banco do Japão tem sinalizado elevação nos juros e redução na compra de títulos, enquanto o mercado aguarda a decisão sobre a taxa básica de juros.
