O anúncio do Prêmio Nobel da Paz está previsto para sexta-feira (9). Especialistas ouvidos pela Reuters apontam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve receber a premiação deste ano em meio a um conflito com o Irã, embora sua influência seja sentida pelo comitê responsável pela escolha.
Segundo Haakon Gjerloew, diretor interino do PRIO (Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo), o comitê de cinco integrantes estará atento a nomes que consigam resistir à pressão de Donald Trump. Essa preocupação pode influenciar a avaliação de possíveis vencedores, como o papa Leão XIV, o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ou a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese.
Karim Haggag, diretor do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), afirmou que o Nobel da Paz costuma refletir preocupações sobre áreas sob ameaça que afetam a segurança internacional. Para ele, os principais desafios atuais envolvem conflitos em larga escala e o direito internacional.
Principais nomes e organizações cotadas
- Papa Leão XIV: O primeiro papa americano afirmou que continuará se manifestando contra a guerra, após críticas de Donald Trump. Sua defesa do diálogo, o trabalho humanitário e sua encíclica sobre inteligência artificial são apontados como justificativas potenciais.
- Francesca Albanese: Relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, a advogada italiana foi alvo de sanções dos EUA por críticas às ações de Israel na Faiza de Gaza e apresentou o relatório "Anatomia de um genocídio" ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.
- Mykola Kuleba e Save Ukraine: Kuleba é um ativista ucraniano e cofundador da ONG Save Ukraine, entidade que atua no resgate de crianças em zonas de guerra. Segundo a organização, foram ajudadas 565 crianças desde o início da invasão russa em 2022.
- Jimmy Lai: O magnata da mídia de Hong Kong foi condenado em fevereiro a 20 anos de prisão por acusações de segurança nacional. Ele nega as acusações e se define como um prisioneiro político.
- Organizações humanitárias e tribunais: Também são mencionados as Salas de Resposta de Emergência do Sudão, a ONG Save the Children, o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Internacional de Justiça (CIJ).
O TPI, com sede em Haia, tem sido alvo do governo de Donald Trump. Segundo o Wall Street Journal e o Washington Post, a administração americana prepara sanções para isolar o tribunal do sistema financeiro global após a emissão de mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Sobre a indicação de Donald Trump ao prêmio — que teria partido de líderes do Camboja, de Israel, do Paquistão e da Argentina (por meio de carta de Javier Milei) —, Karim Haggag afirmou que o presidente americano não é seu favorito, destacando que a concessão abriria um precedente controverso e que seu histórico de mediação pode estar exagerado.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/nobel-da-paz-favoritos-2026/
