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Economia

Preocupação com saúde mental corporativa atinge o 2º maior patamar histórico no Brasil

Estudo e anuário apontam alta preocupação corporativa com a saúde mental no Brasil, reflexo de custos bilionários ao INSS e novas exigências da NR-1.

Redação•10 de out. de 2026, 15:30
Preocupação com saúde mental corporativa atinge o 2º maior patamar histórico no Brasil
Imagem: site

Preocupação com saúde mental corporativa atinge o 2º maior patamar histórico no Brasil

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A atenção dada pelas empresas brasileiras ao bem-estar emocional de seus funcionários alcançou o segundo maior nível histórico na série aferida pelo anuário "Saúde Mental das Empresas", lançado pelo Instituto Philos Org. O índice geral atingiu 8,02 pontos em 2026, considerando uma escala máxima de 16 pontos, o que representa um recuo sutil de 0,17 ponto em relação a 2025 (quando marcou 8,19). Apesar da leve retração, o patamar permanece superior aos registros de 2023 (5,40 pontos) e 2024 (5,06 pontos).

O levantamento tem como base principal relatos integrados elaborados pelas próprias organizações e avalia o cenário por setor. Pelo segundo ano consecutivo, o Setor Financeiro liderou a pontuação média com 10,8 pontos. Nesse segmento, o Banco do Brasil registrou a maior avaliação (13,78), seguido por Bradesco (13,22) e Itaú Unibanco (12,57).

Em segundo lugar na classificação por setores ficou o grupo de TI, Telecom, Tecnologia e Comunicação (8,77), com a Indústria logo atrás na terceira posição (8,69). O restante do ranking setorial é composto por Comércio (8,43), Energia e Recursos Naturais (7,98), Serviços, Transportes e Logística (6,67), Alimentos e Bebidas (6,09) e Agronegócio (5,78).

Em uma análise geral das organizações de destaque, a Renner lidera o ranking com um índice de 14,35. O Banco do Brasil ocupa a segunda colocação e o Bradesco fecha o pódio em terceiro. A lista das dez empresas com melhor desempenho engloba ainda Arcelor Mittal (12,61), Itaú Unibanco (12,57), Vibra (12,17), Petrobras (11,30), Suzano (10,96), Globo (10,95) e Embraer (10,91).

O cenário corporativo coincide com dados apontados por um estudo da Starbem realizado em junho, que indica que cerca de 72% dos brasileiros trabalham em "modo de sobrevivência", patamar correspondente aos níveis mais altos de tensão aguda.

O impacto financeiro e social dos transtornos mentais também se reflete nos cofres públicos. No início deste ano, dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) mostraram que o aumento dos afastamentos por motivos de saúde mental custou cerca de R$ 1 bilhão. O instituto informou que um em cada sete trabalhadores foi afastado por transtornos mentais e comportamentais no ano passado, totalizando 546 mil pessoas — a maior marca histórica e uma alta superior a 14,5% frente a 2024.

Especialistas apontam que a cultura organizacional frequentemente falha em reconhecer elementos geradores de adoecimento, como carga de trabalho excessiva, modelos de gestão, metas e ambiente. Nesse sentido, a atualização da Norma Regulamentadora n°1 (NR-1), implementada em maio deste ano, passou a exigir oficialmente o gerenciamento de riscos psicossociais. A medida insere fatores como assédio moral, metas abusivas, jornadas extenuantes e pressão constante entre as obrigações formais das companhias.

Segundo Amanda Bittencourt, gerente da operadora de saúde Care Plus Ocupacional, a atualização normatiza um olhar estruturado sobre o ambiente corporativo e a pressão emocional. Para a especialista, a exigência legal permite que as empresas identifiquem padrões antes do esgotamento, atuando preventivamente na raiz do problema.

As exigências preventivas da norma buscam combater a síndrome de Burnout, caracterizada por exaustão física e emocional, distanciamento da rotina profissional e perda de produtividade. Paralelamente, o Brasil lida com uma queda na produtividade por horas trabalhadas, que registrou baixa de 0,5% no primeiro trimestre de 2026, conforme levantamento do FGV Ibre.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/negocios/preocupacao-com-saude-mental-das-empresas-atinge-2o-maior-nivel-historico/

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