O presidente da Universidade Cornell, Michael Kotlikoff, quebrou o silêncio neste sábado (3) por meio de um comunicado em vídeo, em meio à crescente indignação em torno do caso de uma estudante identificada como Jane Doe, que relatou ter sido vítima de estupro coletivo em uma casa de fraternidade em outubro de 2024.
Kotlikoff classificou as alegações como "profundamente perturbadoras" e afirmou que este é um momento decisivo na história da instituição. O presidente declarou apoio à decisão da governadora de Nova York, Kathy Hochul, de transferir a investigação criminal para a Procuradoria-Geral do estado e informou que o conselho da universidade anunciará na próxima semana uma análise independente conduzida por um escritório de advocacia externo para apurar a condução do caso pela Cornell.
Segundo documentos obtidos pelo The New York Times, o Gabinete do Promotor Distrital do Condado de Tompkins recusou-se, em novembro de 2024, a analisar evidências adicionais fornecidas pela polícia do campus — incluindo entrevistas e mensagens —, mantendo a decisão de que nenhuma acusação criminal seria apresentada com base apenas no depoimento escrito de seis páginas assinado por Jane Doe.
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, assumiu o caso e abriu uma investigação criminal, substituindo o promotor distrital Matthew Van Houten na supervisão. A governadora Kathy Hochul criticou duramente a condução inicial do caso pela polícia da universidade e defendeu alterações na legislação estadual para que a intoxicação voluntária não seja tratada como exclusão em casos de agressão sexual.
Estudantes, professores e grupos acadêmicos manifestaram forte insatisfação com a postura da administração. A filial de Cornell da Associação Americana de Professores Universitários criticou as falhas de comunicação da instituição, e protestos estudantis estão planejados para a próxima segunda-feira (5). A universidade cancelou todos os eventos sociais de fraternidades no fim de semana.
