O primeiro debate do segundo turno entre os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band no domingo, 18, foi caracterizado por ataques mútuos e pela escassez de propostas concretas. Este representou o primeiro enfrentamento entre os candidatos no pleito, uma vez que ambos ausentaram-se dos encontros do primeiro turno. O eixo central do programa consistiu em recriminações ligadas a escândalos de corrupção envolvendo os concorrentes e aliados próximos.
Segurança Pública
A segurança pública despontou como o tópico inicial do confronto. Instigados pela jornalista Adriana Araújo com dados sobre homicídios, roubos de celulares e a expansão do crime organizado, os candidatos expuseram suas diretrizes. Flávio Bolsonaro comprometeu-se a declarar guerra ao narcoterrorismo, enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e estender o período de reclusão para líderes criminosos. Em contrapartida, Lula propôs a sanção da PEC da Segurança Pública pelo Congresso e a instauração de um Ministério da Segurança Pública voltado para a articulação entre União, estados e municípios, reiterando o lema de campanha: "Para o trabalhador proteção, para o bandido prisão".
Propostas Econômicas e Saúde
No que tange ao endividamento da população, Flávio Bolsonaro afirmou que seu governo adquirirá as dívidas dos cidadãos junto aos bancos por um montante inferior, tecendo críticas ao programa Desenrola. Lula direcionou suas propostas à modernização industrial, ao fomento da economia verde e ao setor digital visando impulsionar o crescimento do país. Na área da saúde, Lula remeteu aos mais de 700 mil óbitos ocorridos durante a pandemia, atribuindo a responsabilidade à administração do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio, por sua vez, declarou a intenção de nomear o médico Claudio Lottenberg, diretor do Conselho do Albert Einstein, para a pasta da Saúde.
Troca de Acusações
Os candidatos confrontaram-se sobre episódios de corrupção. Foram abordados os inquéritos referentes a Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do atual presidente, sob suspeita de utilizar sua influência para aproximar a lobista Roberta Luchsinger de agentes públicos com o intuito de firmar contratos. Lula respondeu que a situação da lobista diz respeito à Polícia Federal. Adicionalmente, o caso envolvendo o Master e os laços de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro foi pauta, com Lula questionando o senador sobre a destinação de recursos solicitados ao banqueiro, tema desviado por Flávio. O escândalo do INSS também gerou debate, com imputações cruzadas sobre qual gestão teria gerado o esquema.
Avaliações Pós-Debate e Alarme de Bomba
Após o encerramento, o presidente Lula classificou o nível do debate como muito baixo devido ao volume de denúncias. André Janones, deputado e estrategista digital da campanha de Lula, avaliou que o encontro não altera cenários eleitorais e serve principalmente para engajamento da militância nas redes sociais, embora tenha afirmado que o presidente venceu. Flávio Bolsonaro e sua equipe deixaram o local sem conceder declarações à imprensa.
A campanha do candidato do PL informou que o senador foi retirado do local após a Polícia Legislativa suspeitar de explosivos no veículo que o transportou. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de São Paulo e cães farejadores inspecionaram o automóvel e isolaram a área externa, não encontrando artefatos. O capitão do Gate, Vitor Capello Haddad, classificou o episódio como alarme falso, atribuindo a reação dos cães a substâncias comuns presentes em veículos.
Próximos Passos e Cenário Eleitoral
Um novo debate está agendado para o dia 23 na TV Globo, a dois dias da votação, sem confirmação formal da presença de ambos os candidatos até o momento. Levantamentos do Datafolha divulgados na quinta-feira, 15, apontam cenário de empate técnico na corrida eleitoral, com Flávio registrando 51% e Lula, 49%.
