O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, encontraram-se neste domingo (18) no primeiro debate presidencial da TV Bandeirantes do atual pleito. O confronto ocorreu a uma semana do segundo turno da eleição, cuja votação decisiva para definir o próximo presidente pelos quatro anos seguintes está marcada para 25 de outubro.
Troca de acusações e embates familiares
No início do primeiro bloco, Flávio questionou Lula sobre as declarações da empresária Roberta Luchsinger feitas à CNN Brasil no dia 17, cobrando explicações sobre a afirmação prévia do presidente de que não a conhecia. Lula respondeu que o caso cabe à Polícia Federal. Na sequência, o senador apontou que o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha), seria sócio de Luchsinger, enquanto Lula associou a empresária ao Careca do INSS, apontado como sócio de seu adversário.
O atual presidente também mencionou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, afirmando que ele está nos Estados Unidos atuando contra os interesses do país e pedindo intervenção de Donald Trump. Flávio rebateu afirmando que o petista mente e protege o filho. O debate também tratou de valores solicitados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com Lula questionando sobre R$ 134 milhões para ajudar seu irmão, e Flávio citando supostos R$ 30 milhões destinados ao Instituto Lula, além de questionar uma reunião envolvendo o presidente, Vorcaro, Fernando Haddad e Gabriel Galípolo. Lula afirmou que Vorcaro se tornou banqueiro na gestão de Jair Bolsonaro e que, em seu governo, o empresário virou prisioneiro após um golpe de R$ 60 bilhões.
Segurança Pública
Na segurança pública, Flávio Bolsonaro declarou que pretende classificar o PCC, o CV e milícias como organizações narcoterroristas a partir de janeiro, prometendo recuperar territórios dominados. Lula defendeu a federalização do setor e a aprovação da PEC da Segurança Pública, argumentando que os estados fracassaram no combate ao problema. O candidato do PL também questionou o indulto natalino, enquanto o petista defendeu a prática para casos sem crimes muito violentos ou hediondos.
Saúde e Economia
O tema da saúde abordou a gestão da pandemia de Covid-19, com críticas de Lula aos ministros da saúde do governo anterior, defendendo o programa Mais Médicos e apontando deterioração nos hospitais federais do Rio de Janeiro. Flávio reconheceu falhas na área, rejeitou as críticas e propôs levar o padrão de atendimento e tecnologia do Hospital Israelita Albert Einstein para o SUS. Lula questionou se a proposta significava a privatização do sistema.
Em economia e produtividade, Lula defendeu investimentos em inovação industrial, expansão de datacenters, economia verde e formação de jovens na indústria digital. Flávio prometeu um programa de mobilidade, fomento ao empreendedorismo, tratamento da internet como infraestrutura e capacitação digital para a abertura de empresas.
Política externa e corrupção
Na política externa, Lula questionou a proximidade de Flávio com o presidente argentino Javier Milei diante dos índices econômicos do país vizinho. O senador rebateu citando as relações de Lula com os governos da Nicarágua e da Venezuela. O petista também acusou a família Bolsonaro de subordinação aos Estados Unidos e de apelo contra o Brasil em relação a taxas, citando a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF. Flávio negou ter pedido o chamado "tarifaço" a Donald Trump.
Sobre corrupção, Lula desafiou os adversários a abrirem contas bancárias e sigilos. Flávio respondeu que não tem nada a esconder e alegou que o dinheiro do oponente estaria em outro lugar.
Confusão nas comitivas
O evento terminou com confusão entre as comitivas durante as considerações finais, gerando discussões que interromperam os discursos finais dos dois candidatos.
