O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, realiza uma visita estratégica a Teerã nesta quinta-feira (27). A iniciativa busca retomar a diplomacia após os Estados Unidos e o Irã trocarem acusações sobre a promessa de Washington de intensificar a pressão econômica contra os iranianos, visando sancionar seus parceiros comerciais.
O Papel de Mediador do Catar
Como vizinho do Irã no Golfo e aliado dos EUA, o Catar tem desempenhado um papel fundamental como negociador por canais reservados. O país foi peça-chave na obtenção do cessar-fogo de junho, que interrompeu temporariamente as hostilidades. Esta nova visita ocorre no momento em que o conflito se aproxima do sexto mês, com combates estagnados, mas sem progressos diplomáticos concretos.
Tensões no Estreito de Ormuz
Um ponto central de divergência é o controle do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o petróleo mundial. Teerã tem utilizado o local como instrumento de pressão. Recentemente, a agência britânica de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou que um projétil atingiu um petroleiro no estreito, provocando um incêndio que foi controlado, sem feridos na tripulação.
As divergências sobre a passagem marítima entre o Irã e Omã foram um dos motivos do fracasso de memorandos anteriores. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, um quinto do petróleo mundial transitava pelo local. Atualmente, o fluxo caiu para 5 milhões de barris por dia, o menor nível em três meses, comparado aos 20 milhões de barris diários registrados antes do conflito.
Pressão Econômica e Geopolítica
Enquanto o Comando Central dos EUA não registra ataques diretos contra o Irã há quase um mês, Washington foca em sanções para isolar a economia iraniana. No Irã, a Guarda Revolucionária afirmou ter chegado a um acordo com Omã sobre a divisão de receitas do estreito, embora outras autoridades iranianas afirmem que os detalhes ainda estão em negociação. O brigadeiro-general Hossein Mohebbi declarou que a passagem seguirá fechada até que os EUA suspendam o bloqueio aos portos e paguem indenizações.
Apesar da redução de suas forças convencionais por bombardeios, o Irã mantém mísseis e drones capazes de atingir bases americanas e interromper o tráfego marítimo. Desde o início da guerra, a ONU registrou 70 incidentes no estreito com 19 mortes de trabalhadores. O conflito amplo, envolvendo EUA e Israel contra o Irã, já resultou em milhares de mortes, principalmente no Irã e Líbano, sob a justificativa de impedir o desenvolvimento de armas nucleares e destruir o programa de mísseis iraniano.
Objetivos do Diálogo em Teerã
Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que Al Thani discutirá a continuidade dos esforços de mediação de Doha. O Catar também pautará a liberdade de navegação em Ormuz, visando restaurar a situação anterior a 28 de fevereiro e reduzir as tensões regionais. Há também uma análise sobre as promessas de Donald Trump de esmagar a economia do Irã e as possíveis ações que ele pode tomar nesse cenário.
