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Prisão no Irã: Livro de memórias de ganhadora do Nobel detalha abusos

Ganhadora do Nobel da Paz, Narges Mohammadi detalha em livro de memórias os abusos e a violência sofridos durante seu encarceramento em prisão iraniana.

Redação•21 de set. de 2026, 03:03
Prisão no Irã: Livro de memórias de ganhadora do Nobel detalha abusos
Imagem: site

Prisão no Irã: Livro de memórias de ganhadora do Nobel detalha abusos

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A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi lançou seu livro de memórias intitulado A Woman Never Stops Fighting, obra que detalha os abusos sofridos durante seu encarceramento na notória prisão de Evin, em Teerã. A ativista de 54 anos conseguiu enviar clandestinamente fragmentos de seus escritos para fora da detenção com o auxílio de amigos e companheiros de cela, enfrentando riscos severos enquanto passava grande parte das últimas duas décadas presa devido à sua oposição ao regime iraniano.

Em entrevista concedida à jornalista Jomana Karadsheh, da CNN, na quarta-feira (16), em uma de suas primeiras aparições desde que obteve liberdade temporária sob licença médica em maio, Mohammadi relatou que as forças de segurança chegaram a confiscar folhas de papel e que mais de 20 de seus cadernos foram perdidos após um espancamento brutal e uma transferência forçada. Segundo sua fundação, a ativista foi condenada a mais de 44 anos de prisão e a 154 chicotadas.

Relatos do Comitê Nobel da Noruega apontam que, durante sua detenção mais recente entre dezembro e maio, Mohammadi sofreu espancamentos repetidos com bastões de madeira e cassetetes, além de ser arrastada pelos cabelos e alvo de chutes na região pélvica e genital. A ativista também permaneceu dois meses em confinamento solitário, sem acesso a ligações, familiares ou advogados. Em março, enfrentou um episódio com suspeita de ataque cardíaco, perdeu 20 quilos e ficou hospitalizada por 18 dias devido a uma doença cardíaca decorrente de estresse crônico. A agência de notícias estatal semioficial Tasnim negou, na ocasião, a piora em seu estado de saúde.

Para Mohammadi, o confinamento solitário e a negação de tratamento médico oportuno integram estratégias governamentais para destruir prisioneiros psicológica, emocional e fisicamente, caracterizando tais mortes como uma forma de execução silenciosa. O governo iraniano e a mídia oficial minimizaram as denúncias de maus-tratos.

Apesar dos perigos decorrentes de sua manifestação e da publicação do livro na Europa este mês, a ativista afirmou que falar abertamente sobre os métodos de tortura constitui seu dever. Ao refletir sobre sua trajetória e sobre os filhos gêmeos de 19 anos, Ali e Kiana, que vivem no exílio na França, Mohammadi ponderou sobre o impacto de sua escolha militante na vida familiar, mas ressaltou a coragem das mulheres e o impacto do movimento 'Mulher, Vida, Liberdade' na resistência contra o governo.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/memorias-ganhadora-nobel-iraniana-prisao/

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