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Economia

Produção mundial de biocombustíveis pode saltar 70% até o final da década

Estudo aponta que a produção global de biocombustíveis deve crescer quase 70% até 2030 impulsionada por metas de mistura mais altas após crise energética.

Redação•22 de set. de 2026, 09:49
Produção mundial de biocombustíveis pode saltar 70% até o final da década
Imagem: site

Produção mundial de biocombustíveis pode saltar 70% até o final da década

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A fabricação internacional de biocombustíveis tem projeção de registrar um crescimento de quase 70% até o ano de 2030, em comparação com os patamares de 2025. O avanço é impulsionado pelo movimento de grandes nações produtoras que buscam elevar as metas de mistura desses combustíveis como resposta direta à crise energética provocada pelo conflito com o Irã, conforme aponta uma pesquisa divulgada na terça-feira (22).

O levantamento foi desenvolvido em parceria entre a organização sem fins lucrativos de certificação FSC (Forest Stewardship Council) e o think tank britânico Chatham House, sediado em Londres. Os biocombustíveis, a exemplo do etanol, derivam de matérias-primas orgânicas variadas, sendo comumente fabricados a partir de cultivos voltados para a alimentação de humanos ou animais. Eles costumam ser combinados ao diesel ou à gasolina, ganhando maior competitividade diante da alta nos valores dos combustíveis fósseis.

Historicamente, esses combustíveis participam de discussões sobre seu real papel no combate às mudanças climáticas ou se intensificam o desmatamento e a inflação dos alimentos. Os responsáveis pela pesquisa alertam que o salto atual na procura ameaça acentuar os dois últimos problemas.

De acordo com os autores, ao priorizar a segurança energética no curto prazo, determinadas respostas de políticas públicas podem gerar um aumento da insegurança alimentar no médio prazo. Além disso, novos choques, como eventos climáticos extremos, têm potencial para impactar gravemente os preços dos alimentos.

Nacionalidades como Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Indonésia e União Europeia adotaram ou propuseram metas mais rígidas de mistura desde o início da guerra com o Irã. A projeção dos pesquisadores indica que a área de terras necessária para cultivar matérias-primas voltadas aos biocombustíveis pode mais do que duplicar até 2030, frente aos patamares de 2023, caso todas as metas anunciadas sejam integralmente colocadas em prática. A exigência seria de 36 milhões de hectares suplementares, extensão equivalente ao território da Alemanha.

O estudo aponta que a rapidez na elevação das metas gera riscos consideráveis, pois a expansão da demanda por matérias-primas pode superar a capacidade de aplicação de salvaguardas ambientais, mecanismos de fiscalização, sistemas de certificação e planejamento do uso da terra. Por outro lado, matérias-primas cultivadas entre safras ou em solos degradados poderiam auxiliar na recuperação dessas áreas e mitigar a degradação, embora essa não seja a prática comum dos biocombustíveis tradicionais de primeira geração.

Os biocombustíveis de primeira geração originam-se de plantações de consumo humano ou animal, como cana-de-açúcar e milho. Em contrapartida, os biocombustíveis avançados, ou de segunda geração, utilizam materiais descartados e resíduos orgânicos, a exemplo de óleo de cozinha usado. Segundo o estudo, a fabricação de matérias-primas da primeira geração costuma resultar em impactos líquidos negativos para o uso da água, a segurança alimentar e a degradação da terra.

Desde o início das hostilidades com o Irã no final de fevereiro, as cotações do petróleo bruto registraram alta de quase 40%, enquanto os preços do milho e do açúcar subiram aproximadamente 20%.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/producao-global-de-biocombustiveis-deve-crescer-70-ate-2030/

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