Entrou em vigor nesta terça-feira (29) a proibição decretada pelo presidente Donald Trump sobre a importação de bebidas alcoólicas canadenses para os Estados Unidos. A medida sem precedentes afeta US$ 800 milhões em produtos importados do Canadá no ano passado, intensificando uma guerra comercial de retaliações que já envolve tarifas elevadas e restrições a bebidas americanas em províncias canadenses como Ontário.
Especialistas avaliam que os consumidores americanos dificilmente notarão o impacto de imediato. Isso ocorre devido a brechas, isenções regulatórias e estoques acumulados por distribuidores antes do início da restrição. O texto da medida aponta que uísque e licores vendidos em recipientes maiores do que quatro litros estão isentos da proibição e de tarifas, embora a mudança exija novas embalagens que podem elevar os custos operacionais das empresas. A marca Crown Royal destaca-se por já enviar remessas a granel para engarrafamento doméstico em solo americano.
A base legal utilizada por Trump é a Seção 338 da Lei Tarifária Smoot-Hawley de 1930, um estatuto histórico que autoriza o presidente a aplicar tarifas de até 50% ou proibir importações diante de discriminação ao comércio norte-americano. Como o dispositivo nunca havia sido acionado dessa maneira, ainda não há jurisprudência nos tribunais sobre os requisitos exigidos do governo.
Além das bebidas, as restrições abrangem mercadorias como produtos lácteos e motocicletas, totalizando cerca de US$ 1 bilhão em importações afetadas. Por outro lado, o Canadá anunciou tarifas de retaliação e adotou proibições parciais a destilados e vinhos dos EUA, o que provocou uma queda de 70% nas exportações do setor americano desde março de 2025, segundo o Distilled Spirits Council of the United States (DISCUS). A indústria canadense também deve sofrer forte impacto, visto que cerca de 93% de seus destilados foram destinados ao mercado norte-americano em 2025.
Horas antes da entrada em vigor da medida, Donald Trump declarou estar confiante em um acordo com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, nas próximas semanas. Contudo, analistas apontam que Carney não demonstra pressa para negociar diante do atual calendário político.
