O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em uma sexta-feira (25) uma Medida Provisória que proíbe cassinos online e apostas esportivas, conhecidas como bets, no território nacional. A determinação estabelece que os apostadores ficam impedidos de adicionar novos fundos monetários nas plataformas a partir da data do anúncio, enquanto os sites de apostas deverão sair do ar em 6 de outubro. Com a proibição da operação das empresas no país, os contratos vigentes entre as casas de apostas e as equipes de futebol brasileiro deverão ser rescindidos.
De acordo com dados levantados pela Info Money, as empresas de bets investiram somadas cerca de R$ 1,14 bilhão no futebol em 2025, o equivalente a 7,9% das receitas totais dos clubes naquele ano. Informações da Sports Value apontam que, também em 2025, cerca de 34% da receita das principais equipes do Brasil vieram de casas de apostas, totalizando R$ 1,1 bilhão, patamar de investimento que ultrapassou a casa de R$ 1 bilhão em 2026. Um relatório da consultoria Convocados aponta que o montante das bets representa 33% do faturamento comercial e de marketing do futebol brasileiro, oscilando de 5% a 8% do orçamento total da maioria das equipes, mas alcançando índices maiores em clubes com acordos mais robustos, como Flamengo (12,85%), Corinthians (10,5%) e São Paulo (10,5%).
Impactos na Série A e nas competições nacionais
Na elite do Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 clubes contam com uma operadora de apostas como patrocinadora principal. Mirassol e Bragantino possuem acordos para patrocínio secundário, enquanto Athletico-PR, Bahia, Coritiba e Internacional não entram na lista de patrocínios máster — embora o Bahia mantenha os naming rights de seu estádio, a Casa de Apostas Arena Fonte Nova. As competições nacionais principais, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, também possuem seus naming rights vinculados à plataforma Betano.
Na Série B, 13 dos 20 clubes possuem vínculos com marcas de apostas, sendo 11 deles por meio de acordos máster. O Náutico, por exemplo, negociou os naming rights de sua praça esportiva com a empresa Esportes da Sorte.
Valores de patrocínio dos clubes
Confira os valores dos contratos anuais das empresas de apostas com as equipes do futebol nacional divulgados pela fonte:
- Flamengo: R$ 268,5 milhões (Betano)
- Corinthians: R$ 150 milhões (Esportes da Sorte)
- São Paulo: R$ 113 milhões (Superbet)
- Palmeiras: R$ 100 milhões (Sportingbet)
- Atlético-MG: R$ 62 milhões (H2Bet)
- Botafogo: R$ 55 milhões (VBet)
- Fluminense: R$ 52 milhões (Superbet)
- Vasco: R$ 50 milhões (Sportingbet)
- Grêmio: R$ 46 milhões (Pitaco)
- Cruzeiro: R$ 40 milhões (Betnacional)
- Santos: R$ 35 milhões (Novibet)
- Vitória: R$ 20 milhões (7KBet)
- Remo: R$ 12 milhões (VaideBet)
- Chapecoense: Sem divulgação oficial (ZeroUm)
Repercussão entre os dirigentes
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), declarou em entrevista exclusiva à CNN Brasil que o futebol brasileiro pode perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no próximo ano com a proibição. Segundo o dirigente rubro-negro, as perdas imediatas de receita para o clube no ano seguinte são estimadas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões, o que traria impactos desastrosos tanto para o futebol quanto para os esportes olímpicos.
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, também estimou o prejuízo para a instituição em mais de R$ 100 milhões. O mandatário tricolor apontou que, além do patrocínio máster, a medida afeta acordos de placas no campo e camisas já confeccionadas com antecedência de seis meses.
Antes do anúncio oficial do governo, a dupla Fla-Flu já havia manifestado em redes sociais posições contrárias à proibição, defendendo que o debate sobre endividamento e vício é legítimo, mas que a decisão precisa ponderar a segurança jurídica, a previsibilidade e os investimentos realizados após anos de discussões e regulamentação da atividade no país. Clubes brasileiros também haviam se posicionado contra uma eventual proibição no dia 17 de setembro.
