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Protestos estudantis tomam Paris e desafiam o governo de Emmanuel Macron

Protestos estudantis contra más condições escolares mobilizam milhares de pessoas na França, pressionando o enfraquecido governo de Emmanuel Macron.

Redação•09 de out. de 2026, 06:30
Protestos estudantis tomam Paris e desafiam o governo de Emmanuel Macron
Imagem: site

Protestos estudantis tomam Paris e desafiam o governo de Emmanuel Macron

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Manifestações de estudantes do ensino médio contra más condições nas escolas têm tomado ruas, bulevares e monumentos de Paris e de outras quarenta cidades da França. O movimento, que já dura três semanas, alcançou o ápice com a mobilização de mais de 300 mil pessoas entre barricadas improvisadas e gás lacrimogêneo. A revolta dos alunos, impulsionada pela falta de professores, prédios degradados e salas superlotadas, ampliou-se para um descontentamento geral contra o governo do presidente Emmanuel Macron.

O levante estudantil ganhou o reforço de sindicatos, mestres, funcionários públicos e agricultores em marcha nacional. Aulas foram suspensas, inclusive em universidades. Desde 21 de setembro, 6 mil pessoas foram detidas, sendo a maioria menor de idade, o que alimentou críticas contra a ação policial. Em Lens, no norte do país, um adolescente de 15 anos perdeu a mão após ser atingido por uma granada de efeito moral, levando o Palácio do Eliseu a anunciar a suspensão do uso do artefato.

Em tentativa de abrandar a tensão, o ministro da Educação, Édouard Geffray, reuniu-se com lideranças estudantis, enquanto o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, enviou uma carta formalizando a identificação e resolução dos problemas estruturais mais urgentes. No entanto, o governo enfrenta forte pressão em meio a um cenário de dificuldades econômicas. As famílias francesas chegaram ao Natal anterior com renda 1.200 euros menor do que em 2024, e a inflação subiu 3,4% em setembro. Com o PIB estimado para crescer apenas 0,4% neste ano, a popularidade de Macron encontra-se na casa de 18%.

O cenário econômico desfavorável obriga o governo a buscar disciplina fiscal para controlar um déficit de 160 bilhões de euros, equivalente a 5,4% do PIB, quase o dobro do limite da União Europeia. O projeto de orçamento para 2027, que será apreciado pela Assembleia Nacional em novembro, prevê um aperto de 54 bilhões de euros, enquanto as demandas estudantis adicionariam mais despesas. Segundo Natali Hoff, professora de relações internacionais da PUCPR, o governo tem pouco a oferecer e é inviável aumentar os gastos significativamente.

A seis meses de deixar a presidência, cargo que ocupa desde 2017, Macron enfrenta o desgaste típico da reta final de mandato. Com o centro político enfraquecido, as pesquisas apontam a ascensão de extremos. Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, lidera as preferências com 36%, seguida por Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, com 17%. Para Roberto Uebel, professor de relações internacionais da ESPM, os protestos alimentam o voto de ruptura em um momento de máxima fragilidade do governo centrista.

Os atos recentes têm sido comparados a revoltas históricas francesas, como a dos coletes amarelos em 2018 e, principalmente, as manifestações de maio de 1968, que misturaram protestos estudantis e greve operária.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/o-outubro-de-26-os-efeitos-das-manifestacoes-dos-estudantes-que-tomam-as-ruas-de-paris/

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