Cerca de 550 mil pessoas participaram de protestos contra o aumento do custo de vida em diversas cidades da França neste sábado, 17. A mobilização resultou na prisão de pelo menos 400 pessoas em meio a atos que reuniram diferentes setores da sociedade a seis meses da eleição presidencial, com lemas como "abaixo o sistema", "tomamos a Bastilha" e pedidos de renúncia do presidente Emmanuel Macron.
As manifestações cobram ações governamentais para conter a carestia no país, impulsionada principalmente pela alta nos preços dos combustíveis desde o início do conflito no Oriente Médio. "Hoje há um ponto de convergência de muitas revoltas, todas legítimas e todas mais ou menos conectadas", declarou à AFP Florine Pigny, tatuadora de 36 anos residente nos arredores de Paris. Em Guéret, no centro francês, o funcionário público Franck relatou dificuldades financeiras: "No fim do mês não sobra nada; os preços sobem, mas os salários, não. Não aguentamos mais, estamos sufocando".
Grandes centros urbanos registraram cenas de caos. Em Marselha e Lille, manifestantes invadiram prefeituras, e em Marselha um busto de Marianne, símbolo da República Francesa, foi derrubado. Na capital, a Praça da República concentrou confrontos entre manifestantes mascarados e as forças de segurança, que utilizaram gás lacrimogêneo e jatos de água em resposta a objetos arremessados. O governo proibiu atos em áreas estratégicas, como a Champs-Élysées e as proximidades do Palácio do Eliseu, sede da presidência.
O movimento atual evoca recordações dos "coletes amarelos", cujos atos em 2018 e 2019 marcaram o primeiro mandato de Macron em contestação a um imposto sobre combustíveis. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, advertiu que as forças de segurança poderão empregar granadas de efeito moral em episódios de distúrbios urbanos.
Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron apelou à calma, defendendo que o direito de manifestação deve estar aliado ao respeito, sem depredações ou insultos. No X (antigo Twitter), Macron também garantiu que os responsáveis por atos de vandalismo serão punidos.
