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Protestos na França podem direcionar eleitorado para pauta social ou anti-imigração

Professora de Relações Internacionais aponta que manifestações na França podem dividir o eleitorado entre pautas sociais e anti-imigração.

Redação•20 de out. de 2026, 09:30
Protestos na França podem direcionar eleitorado para pauta social ou anti-imigração
Imagem: site

Protestos na França podem direcionar eleitorado para pauta social ou anti-imigração

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Os atos e manifestações em andamento na França estabelecem um panorama político complexo, com a possibilidade de o eleitorado se inclinar para uma agenda voltada a mudanças sociais e econômicas ou para uma pauta de caráter anti-imigração. A avaliação foi feita por Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, durante entrevista ao programa WW.

De acordo com Pavese, ainda é prematuro mensurar o impacto direto dos protestos nas urnas ao longo dos próximos seis meses. Contudo, a especialista pontua que existem causas estruturais e sociais profundas, elementos que a extrema esquerda costuma priorizar em suas propostas e campanhas políticas.

Disputa de narrativas entre extremos políticos

A professora destacou que o repúdio ao Estado neoliberal e à globalização excludente integra o eixo defendido pela extrema esquerda, liderada por Jean-Luc Mélenchon, motivando uma parcela dos manifestantes. Em contrapartida, Pavese alertou que uma minoria de participantes, identificada como "casseurs" (saqueadores responsáveis por danos severos), favorece o argumento por maior rigidez na segurança e controle estatal.

Nesse cenário, a especialista apontou que Marine Le Pen passou a direcionar acusações contra imigrantes — ato que classificou como desprovido de fundamento —, utilizando os episódios de saques para impulsionar a agenda xenófoba da extrema direita. Pavese também avaliou que o presidente Emmanuel Macron, ao atribuir à extrema direita a liderança dos atos, acabou cedendo tal bandeira política aos opositores em um momento em que o centro político se encontra totalmente ausente.

Crise fiscal e desafios econômicos estruturais

O quadro econômico francês também esteve no centro dos debates. Informações do Financial Times apontam que os custos da dívida da França registraram alta expressiva frente à dívida alemã, alimentando incertezas sobre a estabilização governamental.

O analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, pontuou que a administração pública tentou realizar cortes de € 54 bilhões no orçamento de 2027, ajustando posteriormente o valor para € 44 bilhões, e que o governo ainda enfrentará grandes barreiras para conciliar redução de despesas com elevação de tributos.

Entre os problemas estruturais mencionados estão:

  • Perda de competitividade comercial frente à China
  • Impactos das mudanças climáticas
  • Imigração desordenada ocorrida há cerca de dez anos
  • Choques energéticos decorrentes do conflito na Ucrânia e da situação no Estreito de Ormuz
  • Envelhecimento populacional com sobrecarga na previdência e nos serviços de saúde

Ao resumir o sentimento expresso nas barricadas, Lourival destacou a frase: "Se vocês querem vender o nosso futuro, nós vamos impedir o presente". Ao concluir, Pavese ressaltou que será essencial analisar, após a diminuição das tensões, se o eleitorado optará por apoiar demandas de transformações socioeconômicas ou se aderirá à pauta defendida pela extrema direita.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/professora-protestos-na-franca-podem-gerar-agenda-social-ou-anti-imigracao/

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