A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou uma representação para que o senador Flávio Bolsonaro seja investigado devido a uma suposta abertura para a interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. A medida foi apresentada por meio de uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) com mais de cem páginas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de um pedido em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento enviado ao TSE, elaborado pela coligação que abriga o PT, requer a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro e de seu vice, Alfredo Gaspar, além da declaração de inelegibilidade por um período de oito anos, sob as acusações de abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação. O processo no TSE foi distribuído ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Paralelamente, o pedido direcionado ao STF insere-se em uma ação sobre a eficácia de atos estrangeiros no país, sob relatoria do ministro Flávio Dino.
De acordo com a acusación, a conduta de Flávio Bolsonaro daria continuidade a movimentações que incluem o episódio do tarifaço, no qual o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro é apontado como articulador em negociações voltadas a sanções contra o Brasil. A peça jurídica lista diferentes atuações, tais como encontros com assessores do Departamento de Estado norte-americano, a sugestão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, e a recepção de influenciadores simpáticos ao bolsonarismo no consulado dos EUA em São Paulo.
A legenda aponta a existência de um método articulado para gerar instabilidade institucional e eleitoral, utilizando retaliações econômicas e sanções de uma potência estrangeira em benefício da campanha de Flávio Bolsonaro. Consta também na ação o argumento de que negociações paralelas teriam ocorrido à margem dos canais diplomáticos oficiais do Estado brasileiro.
Ademais, a coligação sustenta que há indícios de repasses financeiros oriundos de uma entidade americana chamada Rockbridge Network para o financiamento da campanha do senador. Diante disso, o TSE foi instado a determinar diligências complementares, compreendendo a solicitação de documentos, expedição de ofícios e oitiva de testemunhas para apurar a veracidade da suspeita.
