O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (1º) que o mundo atravessa um período perigoso. Durante o Fórum Valdai, evento com especialistas internacionais realizado em Moscou, ele emitiu um aviso ao Ocidente para evitar a escalada de tensões sobre a Ucrânia que envolva ameaças ao exclave russo de Kaliningrado.
Putin declarou que a Rússia defenderá o território com armas nucleares, se necessário. Localizado entre a Polônia e a Lituânia, Kaliningrado é o território mais a oeste da Rússia e foi descrito pelo líder russo como alvo de potenciais ameaças de Kiev ou da Otan (Organização do Atlântico Norte).
Declarações sobre ataques diretos e arsenal
“Se ocorrer um ataque direto à Federação Russa — neste caso, referindo-nos a Kaliningrado e, talvez, a outros territórios também —, a questão de a Federação Russa empregar todas as armas à disposição do nosso país entrará, naturalmente, de forma inevitável e imediata na pauta”, afirmou Putin, acrescentando que a situação é inevitável.
O presidente russo pontuou que o país está ciente de enfrentar um inimigo duas vezes maior e reconheceu as potências nucleares França e Grã-Bretanha, mas enfatizou que ninguém mais possui o tipo de armamento que a Rússia tem atualmente, destacando isso como uma vantagem competitiva.
Nota diplomática e reações da Otan
As declarações ocorreram após a Otan informar ter recebido uma nota diplomática da Rússia na mesma semana. O documento alertava que Moscou está preparada para recorrer a artefatos nucleares caso a aliança militar ocidental tente isolar o exclave no Báltico.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, respondeu ressaltando o perfil defensivo da organização e pontuou que ameaças nucleares não auxiliam no cenário atual.
Putin também reiterou que a Rússia não tem planos de atacar países europeus e deseja coexistir de forma pacífica, além de negar intenções de ofensivas contra nações da Otan. Contudo, alertou que o ciclo de escalada nos conflitos pode conduzir rapidamente a um ponto de não retorno fatal.
