O ex-governador Anthony Garotinho declarou, em entrevista ao programa CNN 360º nesta terça-feira (6), que a eleição no Rio de Janeiro está sendo vencida por um "sistema" que domina os principais setores do estado. Na segunda-feira (5), Garotinho desistiu de recorrer contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que havia indeferido seu registro de candidatura ao governo estadual.
Durante a entrevista, o ex-governador afirmou que sua candidatura não era tolerada pelas estruturas de poder locais. "Estava claro desde o início. Podia chamar Douglas Paes ou Eduardo Ruas, só não podia ser Garotinho, porque eu venho denunciando essa gente há muito tempo", declarou. Garotinho sustentou que sua missão durante a campanha foi cumprida ao expor os dois adversários que ficaram à sua frente na disputa fluminense, apontando que ambos teriam ligações com organizações criminosas: Douglas Ruas (PL) com o Comando Vermelho e Eduardo Paes (PSD) com a milícia.
Críticas ao Judiciário e anúncio de reclamação no CNJ
O ex-governador responsabilizou o relator de seu processo na Justiça Eleitoral por atrasos e interferências que, segundo ele, o prejudicaram. Classificando a conduta como uma "covardia", Garotinho anunciou que entrará com uma reclamação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o magistrado. Ele alegou que o juiz demorou 20 dias para emitir um parecer que poderia ter sido concluído em dois dias, provocando confusão e o que chamou de "manipulação clara do sistema apodrecido das instituições do Rio de Janeiro", envolvendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Sobre o reflexo da desistência do recurso perante o eleitorado, Garotinho afirmou que a Justiça impediu que mais pessoas o apoiassem ao manter a invalidação de seus votos até o último dia. Ele também ironizou a postura de Eduardo Paes, que segundo ele teria acionado a Justiça para anular seus votos, mas posteriormente passou a defender que os sufrágios não fossem desconsiderados.
Posicionamento político e cenário nacional
Indagado sobre a disputa de segundo turno no Rio de Janeiro, o ex-governador foi enfático: "No Rio de Janeiro, não voto, não apoio e serei oposição ao Douglas, como seria ao Eduardo Paes."
No âmbito federal, Garotinho revelou que votou em Flávio Bolsonaro (PL), embora sem convicção, justificando o voto pelo esgotamento com as administrações anteriores de Lula. Para o ex-governador, os principais problemas do Brasil continuam sendo a dívida pública e a concentração de renda, gargalos que, em sua avaliação, não foram resolvidos por Lula e dificilmente seriam endereçados em um eventual quarto mandato.
