O debate sobre a desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial ganhou repercussão global após o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicar um artigo no sábado (12) defendendo que as empresas reduzam o ritmo de criação de seus modelos de IA. A manifestação ocorreu logo após a empresa divulgar um relatório detalhando como diferentes agentes utilizaram os modelos Claude em atividades que abrangeram desde o desenvolvimento de armas até operações cibernéticas, vigilância e fraude.
Diante da proposta, governos e autoridades de diferentes nações posicionaram-se sobre o avanço tecnológico. Enquanto os Estados Unidos rejeitaram a ideia de frear o setor, a China alertou para riscos à segurança nacional e a União Europeia exigiu garantias de segurança das companhias.
Estados Unidos
Na segunda-feira (14), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o país dispõe de amplos poderes regulatórios e de responsabilização criminal sobre as empresas de inteligência artificial. Trump afirmou que existe uma conspiração doentia contra a tecnologia e escreveu na Truth Social que o único controle necessário é um presidente forte e inteligente. Ele também argumentou que questionar o desenvolvimento da IA favorece a China, principal rival americana no mercado.
Ainda no domingo (13), durante conversa com jornalistas em um campo de golfe na Irlanda, Trump comparou os críticos da tecnologia a forças negativas que especulam sobre cenários improváveis, reiterando o objetivo de manter a liderança dos Estados Unidos no setor.
China
A China apontou que ferramentas de inteligência artificial generativa podem ameaçar a segurança nacional ao serem exploradas por potências estrangeiras para minar a ordem social interna. Segundo um artigo publicado online no domingo pelo ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, forças hostis estariam utilizando essas tecnologias para fabricar rumores políticos e disseminar informações prejudiciais em guerras de opinião pública contra o país. O alerta antecede um encontro previsto para este mês em Washington entre o líder chinês, Xi Jinping, e Donald Trump, focado na segurança da inteligência artificial.
União Europeia e Alemanha
O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, declarou na segunda-feira (14) que o bloco apoia a inovação, mas exige que as empresas comprovem a segurança de seus serviços.
Na mesma linha, a Alemanha avaliou na segunda-feira que interromper o avanço da inteligência artificial não representa uma alternativa viável para a Europa, uma vez que a autonomia tecnológica do continente depende de inovações no setor. Contudo, um porta-voz do ministério responsável por assuntos digitais informou que o governo acompanha os desdobramentos de perto e considera sérios os alertas dos desenvolvedores. A pasta alertou para o cenário inédito de ameaça caso uma IA ultrapasse ambientes controlados e acesse outros sistemas de forma autônoma, defendendo coordenação internacional no âmbito do G7 com os Estados Unidos e a China.
Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, avaliou positivamente que as principais companhias do setor discutam abertamente os riscos e as oportunidades da tecnologia para a humanidade. Segundo seu porta-voz, em declarações feitas na segunda-feira (14), as futuras políticas do país serão fundamentadas em evidências e centradas nos riscos enfrentados, sem presumir que as regulamentações atuais serão permanentemente suficientes diante do avanço da inteligência artificial.
