Marcado para os dias 8 e 15 de novembro de 2026, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) traz expectativas em relação aos temas que poderão compor a prova de redação. Diante de um cenário global e nacional marcado por conflitos, crises climáticas e processos eleitorais, especialistas orientam os candidatos sobre como direcionar os estudos.
Eleições e o debate sobre a democracia
Segundo Renato Júdice de Andrade, diretor pedagógico do sistema de ensino COC, assuntos em alta — como as eleições — podem integrar o universo temático da redação, embora seja necessário compreender conceitos sociais, científicos, culturais e políticos. Para o especialista, temas focados diretamente no pleito, em candidaturas ou nos resultados das urnas são improváveis.
O diretor aponta que são mais compatíveis com o perfil do exame questões como a desinformação política, a participação dos jovens na democracia, a sub-representação de grupos, a violência política contra as mulheres, a polarização, a confiança institucional e a influência das plataformas digitais. Ele também menciona as novas normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre inteligência artificial, identificação de conteúdos sintéticos e o combate a deepfakes e notícias falsas como reflexo de um problema público concreto.
Histórico recente e eixos de preparação
O profissional lembra que edições anteriores abordaram a valorização de povos tradicionais (2022), a invisibilidade do trabalho de cuidado das mulheres (2023), a herança africana (2024) e o envelhecimento na sociedade brasileira (2025). Segundo ele, a prova costuma se afastar do ruído cotidiano para focar em problemas estruturais.
Não há uma lista oficial de apostas para o Enem. No entanto, os tópicos mais relevantes combinam atualidade, dimensão estrutural, impacto coletivo, interdisciplinaridade e possibilidade de intervenção, divididos em cinco grandes eixos:
- Democracia, informação e cidadania digital: desinformação, polarização, participação política juvenil, representatividade e liberdade de expressão.
- Proteção da infância e da adolescência no ambiente digital: economia da atenção, exposição excessiva, cyberbullying, saúde mental e responsabilidade das plataformas.
- Adaptação climática e justiça ambiental: impactos desiguais de eventos extremos, segurança hídrica, moradia, migrações climáticas e transição energética.
- Trabalho, educação e inteligência artificial: automação, economia de plataformas, inclusão produtiva e novas competências.
- Direitos, inclusão, memória e pertencimento: combate ao racismo e à violência contra a mulher, inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes, e valorização de culturas periféricas.
Temas debatidos e novos marcos legais
Entre os tópicos discutidos recentemente em cursos preparatórios, destacam-se a proteção infantil no meio digital, a adaptação climática e a integridade informacional. No caso da proteção infantojuvenil, o Brasil aprovou em 2025 a Lei nº 15.211, conhecida como Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que entrou em vigor em março de 2026 e regula a segurança, a privacidade e a prevenção de riscos nos serviços digitais.
No campo climático, o relatório da Organização Meteorológica Mundial aponta recordes de calor, secas e chuvas extremas na América Latina e no Caribe. O diretor destaca que o debate pode envolver a redução da vulnerabilidade urbana e a proteção de populações expostas, cujos efeitos da crise climática não ocorrem de maneira democrática.
Erros comuns na redação
Para evitar notas baixas e fugas ao tema, o educador orienta os candidatos a identificarem o assunto central, localizarem o recorte específico exigido, reconhecerem o contexto social, observarem o comando da proposta e transformarem o tema em uma pergunta cuja tese seja capaz de responder integralmente.
