A aprovação do Redata pelo Congresso Nacional vai além de uma mudança na política tributária, funcionando como um sinal político e econômico de que o Brasil enxerga a infraestrutura digital como parte estratégica de seu desenvolvimento. O texto agora segue para sanção presidencial, dependendo ainda de regulamentação por decreto e de convênio no Confaz para gerar efeitos plenos.
Segundo o relatório aprovado no Senado, o regime pode reduzir em até 30% o investimento inicial de um empreendimento, aumentando a competitividade do país para atrair capital internacional e expandir a infraestrutura digital. No entanto, o CEO da RT-One, Fernando Palamone, aponta que o Redata deve ser visto como um ponto de partida, exigindo uma agenda de infraestrutura que envolva energia, conectividade, terrenos, mão de obra especializada, segurança jurídica e previsibilidade.
Entre os principais desafios para sustentar a expansão da inteligência artificial e a instalação de data centers está o setor elétrico. Embora o Brasil conte com uma matriz elétrica com forte participação de fontes renováveis, o principal gargalo atual reside na transmissão, já que parte da energia renovável não é aproveitada por falta de capacidade de escoamento. O artigo destaca que data centers concebidos como cargas controláveis com sistemas de armazenamento em baterias podem absorver esse excedente e estabilizar a rede.
A expansão digital também apresenta potencial para descentralização econômica, permitindo o desenvolvimento de novos polos de tecnologia fora dos centros tradicionais, como exemplificado por projetos de grande escala em Minas Gerais e no Paraná. Com isso, a iniciativa privada e o poder público passam a articular temas como desenvolvimento econômico, política energética, inovação, qualificação profissional e competitividade internacional.
