Aprovação do Redata e análise de investimentos
O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lançou neste sábado (5.set.2026) o 178º episódio do programa Infra em 1 Minuto. O especialista em petróleo e gás Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa a aprovação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) pelo Congresso. O programa é publicado semanalmente no canal do Poder360 no YouTube.
No episódio, Rodrigues comemora a aprovação do regime, que reduz a carga tributária sobre equipamentos utilizados na instalação e na ampliação de data centers. Afirma, no entanto, que a necessidade de criar uma exceção fiscal demonstra a dificuldade do Brasil para atrair investimentos pelas regras normais. “O Redata é uma boa notícia. Mas a exceção que a gente comemora é a confissão de que a regra não funciona”, declarou.
Histórico da Aprovação do Redata
A criação do Redata foi inicialmente proposta pelo governo na MP (Medida Provisória) 1.318 de 2025. A medida perdeu a validade em fevereiro de 2026 sem ser votada pelo Congresso. Para preservar o programa, a Câmara aprovou em fevereiro o PL 278 de 2026, que reproduziu o conteúdo do regime. A proposta ficou parada por cerca de 6 meses no Senado, até ser aprovada na 3ª feira (1º.set.2026).
Dois dias depois, Câmara e Senado também aprovaram o PLP 74 de 2026, que enquadra o benefício entre as exceções permitidas pelas regras fiscais de 2026. Os 2 projetos seguem para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Redata suspende o pagamento do Imposto de Importação, do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), do PIS/Pasep e da Cofins na compra, dentro ou fora do país, de equipamentos e componentes de tecnologia destinados aos data centers. O regime terá vigência de 5 anos.
A renúncia fiscal estimada pelo governo é de R$ 5,2 bilhões em 2026, de R$ 1 bilhão em 2027 e de R$ 1,05 bilhão em 2028. Segundo Rodrigues, a medida reduz uma das principais barreiras para a instalação e a ampliação dessas infraestruturas no Brasil.
Fontes de Energia de Baixa Emissão
Rodrigues também elogiou a mudança feita pelo Senado nas exigências relacionadas ao fornecimento de energia. O texto aprovado pela Câmara determinava que 100% da demanda elétrica dos data centers fosse atendida por fontes “limpas ou renováveis”. Os senadores substituíram a expressão por fontes “renováveis ou de baixa emissão”.
Para o especialista, a alteração amplia as opções disponíveis para garantir o fornecimento contínuo de eletricidade exigido por essas instalações. “Parece ajuste de redação, mas não é. Essa mudança abre a porta para gás natural, hidrelétrica, biogás e nuclear”, afirmou. A definição das fontes consideradas de baixa emissão ainda dependerá de regulamentação do governo.
“Data center não pisca. Precisa de energia firme, 24 por 7. E uma reserva de mercado energética era o pior jeito de começar essa indústria”, declarou Rodrigues. Segundo ele, a mudança permite combinar a expansão dos data centers com fontes capazes de fornecer energia de forma contínua, sem restringir o suprimento a determinadas tecnologias. “A aprovação merece ser comemorada: o projeto saiu do Congresso melhor do que entrou”, afirmou.
O Ambiente de Negócios e a Regra Geral
Apesar da avaliação positiva, Rodrigues afirma que o Redata evidencia uma deficiência estrutural do ambiente de negócios brasileiro. Na avaliação dele, o mercado só consegue competir internacionalmente quando o Congresso aprova uma lei específica para afastar obstáculos tributários e regulatórios. Ele comparou o modelo brasileiro ao dos Estados Unidos, onde o mercado atrai investimentos e inovação antes da criação de regras específicas. No Brasil, a lei serve para retirar barreiras impostas pelo próprio Estado.
Histórico do Programa Infra em 1 Minuto
Confira os outros episódios do programa:
177º: Imposto sobre exportação do petróleo afasta capital;
176º: O protagonismo de Brasil e a Margem Equatorial;
175º: Falta de concorrência encarece gás no Brasil;
174º: Consumidor não escolhe a mistura do etanol na gasolina;
173º: Corrida da IA é disputa de capacidade de geração de energia;
172º: Petróleo perto de US$ 100 pressiona governo dos EUA;
171º: Gargalo de energia ameaça expansão de data centers no Brasil;
170º: Expansão de renováveis eleva custos de transmissão;
169º: “Energia mais barata” agrega custos ocultos na conta de luz;
168º: Vaivém no estreito de Ormuz afeta mercado de petróleo;
167º: Baterias precisam de mercado, não de subsídio;
166º: Corte da ONS de domingo revela problema no SIN;
165º: IA exige energia firme para atrair data centers;
164º: O mundo eletrifica por preço, o Brasil por subsídio;
163º: Data centers exigem expansão da geração de energia;
162º: Papel das térmicas na segurança do sistema elétrico;
161º: saída dos Emirados Árabes da OPEP+;
160º: Aumento da mistura de etanol na gasolina;
159º: O mercado de terras raras;
158º: Políticas Energéticas em Alta;
157º: Crise em Ormuz cria janela de oportunidade para o etanol;
156º: Subsídio ao diesel expõe riscos no setor;
155º: CeraWeek expõe riscos globais no mercado de energia;
154º: Análise do reajuste do diesel no Brasil em 2026;
153º: Análise do mercado global de petróleo em 2026;
152º: Riscos do estreito de Ormuz;
151º: Câmara aprova Redata para data centers;
150º: Setor elétrico inicia 2026 sob agenda regulatória;
149º: Programa Gás do Povo;
148º: Potencial do Brasil em minérios críticos;
147º: Crise do petróleo na Venezuela;
146º: Análise do setor de energia brasileiro em 2025;
145º: Análise do Plano de Negócios 26-30 da Petrobras;
143º: Epidemia das MPs;
142º: Aprovação da MP do setor elétrico;
141º: Eletrobras entra no mercado de criptomineração;
140º: Novo programa de botijão de gás traz desafios;
139º: Operação Carbono Oculto no mercado de combustíveis;
138º: Importância da classificação de gasodutos;
137º: Nova descoberta no Pré-Sal;
136º: Os riscos e impactos da MP dos data centers;
135º: Lei das Eólicas Offshore e a crescente CDE;
134º: Mudanças a caminho do setor elétrico;
133º: Cresce a presença dos biocombustíveis no mercado doméstico;
132º: Guerra no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz;
131º: Balanço Energético Nacional 2025;
130º: Reforma do setor elétrico;
129º: Transição na China;
128º: Lições do Apagão da Europa;
127º: Retorno da energia nuclear;
126º: IA pressiona e revoluciona o setor de energia;
125º: O cancelamento do Leilão de Reserva de Capacidade 2025;
124º: Pedidos de renovação das concessões de distribuição;
123º: O avanço do mercado livre de energia;
122º: Os resultados de 2024 e as tendências do setor de energia;
121º: Corte no biodiesel mira preço, mas falha na fiscalização;
120º: Resultados financeiros da Petrobras em 2024;
119º: Presença do biodiesel no diesel inalterada;
118º: Auxílio Gás deixa brechas sobre uso do recurso;
117º: Uma nova ameaça no radar do ONS;
116º: O reajuste do preço do diesel;
115º: Sanção do programa de aceleração da transição energética;
114º: Trump 2.0 e as medidas para o setor de energia;
113º: O que esperar da defasagem dos combustíveis em 2025;
112º: Retrospectiva do setor de energia em 2024;
111º: A demanda por petróleo em 2025;
110º: A oferta de petróleo em 2025;
109º: O novo plano estratégico da Petrobras;
108º: Petrobras tem lucro de R$ 32,6 bi no 3º trimestre;
107º: Aneel reduz bandeira tarifária de energia após chuvas;
106º: O Combustível do Futuro;
105º: Data centers, os novos gigantes do consumo de energia;
104º: Projeções da Opep+ para o setor de óleo e gás;
103º: Conta de luz com bandeira vermelha em setembro;
102º: O segmento de transmissão de energia não pode ficar esquecido;
101º: Conta de luz ficará mais barata a partir de setembro;
100º: Petrobras tem prejuízo de R$ 2,6 bi no 2º trimestre de 2024;
99º: As eleições na Venezuela e o petróleo do país;
98º: A decisão da ANP sobre o gasoduto Subida da Serra;
97º: Perdas no sistema de distribuição de energia em 2023;
96º: Compra direta de gás natural da Bolívia;
95º: “Imposto do pecado” no setor de óleo e gás;
94º: Conta de luz mais cara em julho;
93º: Regras para a renovação de concessões de energia;
92º: Senado aprova marco legal do hidrogênio verde;
91º: Política de preços da Petrobras segue nebulosa 1 ano após adoção;
90º: Caso Light reflete os problemas de distribuição de energia no Brasil;
89º: Decisão do Cade sobre Petrobras cria insegurança;
88º: A expansão dos data centers no Brasil;
87º: A demissão de Prates e o futuro da Petrobras;
86º: Petroleiras independentes dominam produção onshore pela 1ª vez;
85º: Os resultados da produção de petróleo em 2023;
84º: MP que reduz tarifas de energia tem fraquezas de longo prazo;
83º: Envolvimento do Irã em Gaza pode afetar cadeias globais de energia;
82º: Preços dos combustíveis seguem defasados apesar de alta internacional;
81º: Governo estimula descarbonização da indústria automotiva;
80º: Câmara aprova o PL Combustível do Futuro;
79º: Aneel reduz valores de bandeiras tarifárias para 2024;
78º: Mudança na política de dividendos da Petrobras;
77º: Chuvas evidenciaram crise na distribuição de energia;
76º: Cade deve liberar Petrobras de compromissos dos TCCs;
75º: O impasse para definir a tarifa de Itaipu para 2024;
74º: Governo seguirá com renovação das concessões de energia;
73º: Guerras na Ucrânia e em Israel afetam mercado de óleo e gás;
72º: A volta dos investimentos na Refinaria Abreu e Lima;
71º: Guiana e Venezuela disputam região rica em petróleo;
70º: Destaques do setor de biocombustíveis em 2023;
69º: Temas que marcaram o setor elétrico em 2023;
68º: A indústria de óleo e gás no 3º mandato de Lula;
67º: Impactos do El Niño no setor elétrico;
66º: Deputado apresenta projeto para acelerar transição energética;
65º: Apagão em São Paulo;
64º: EUA suspendem sanções ao petróleo da Venezuela;
63º: Exxon Mobil e Chevron investem mais de US$ 100 bi em fontes fósseis;
62º: A seca no Norte e seus impactos no setor elétrico;
61º: Produção de hidrogênio a partir de etanol no Brasil;
60º: Rússia suspende exportação de derivados do petróleo;
59º: PL do Combustível do Futuro é enviado ao Congresso;
58º: O peso da volta de PIS/Cofins sobre o diesel;
57º: Novo PAC pode ajudar a modernizar o setor de energia;
56º: Apagão nacional mostrou vulnerabilidades do SIN;
55º: O 1º Investor day da Eletrobras após a capitalização;
54º: Reaquecimento dos mercados coloca à prova estratégia da Petrobras;
53º: Redução do preço do gás natural a distribuidoras chega a 25% em 2023;
52º: Impactos da reforma tributária no setor de energia;
51º: 1º leilão de transmissão de 2023;
50º: Aliança Estratégica Brasil-Argentina;
9º: Gás natural causa divergências entre Petrobras e Minas e Energia;
48º: Os desafios para a popularização dos carros elétricos;
47º: Extração e processamento de lítio;
46º: O pedido de recuperação judicial da Light;
45º: Fim do prazo das concessões das distribuidoras de energia;
44º: Fim do sistema de Preço de Paridade Internacional;
43º: Riscos da reestatização da Eletrobras;
42º: Interromper desinvestimentos da Petrobras pode afastar capital privado;
41º: Fim da energia nuclear na Alemanha;
40º: Potencialidades de exploração do petróleo da Margem Equatorial;
39º: O risco do fim da autonomia das agências reguladoras;
38º: O fim dos planos de desinvestimento da Petrobras;
37º: Participações governamentais nos lucros das petrolíferas em 2022;
36º: Resultados financeiros da Petrobras em 2022;
35º: Impactos da reoneração dos combustíveis;
34º: Os debates sobre contratação de térmicas a gás natural;
33º: Desafios da transição energética dos combustíveis fósseis;
32º: As perspectivas para a tributação de combustíveis em 2023;
31º: As discussões em torno dos combustíveis renováveis;
30º: Os escolhidos de Lula para o setor de energia;
29º: Desafios do escoamento da energia elétrica no Brasil;
28º: Equipe de Lula alimenta insegurança sobre futuro da Petrobras;
27º: As variáveis da queda do preço do petróleo;
26º: Brasil avança na expansão do mercado de energia;
25º: Na COP27, Lula manifesta intenções, mas deixa caminho indefinido;
24º: O lucro das petroleiras no 3º trimestre;
23º: Os efeitos dos bloqueios das rodovias;
22º: Dependência da Alemanha resgata debate sobre uso da energia nuclear;
21º: Defasagem nos preços X estoques de combustíveis da Petrobras;
20º: Cresce movimento anti-ESG por flexibilização da descarbonização;
19º: Com corte na produção, Opep+ sinaliza alta do preço do petróleo;
18º: Impacto do atraso da operação do gasoduto do pré-sal Rota 3;
17º: Impacto da demanda por minerais críticos sobre energias renováveis;
16º: Reino Unido adota medidas emergenciais por crise energética;
15º: Causas e efeitos da suspensão do fornecimento de gás russo;
14º: O risco do livre acesso às infraestruturas de petróleo;
13º: Impacto da privatização dos contratos de partilha de produção do pré-sal;
12º: O avanço da energia solar no Brasil;
11º: Reduções do preço do diesel;
10º: Petrobras pagará R$ 32 bi em dividendos à União;
9º: O desafio da venda das refinarias da Petrobras;
8º: Preço da gasolina nas refinarias tem a 1ª redução no ano;
7º: Obstáculos que Bolsonaro deve enfrentar para compra do diesel russo;
6º: Atuação no mercado X responsabilidade social da Petrobras;
5º: Impacto de mudança na política de preços da Petrobras;
4º: Entenda por que a Petrobras não é uma estatal;
3º: Alta do preço do barril de petróleo e da inflação;
2º: Governo quer compensar Estados para reduzir ICMS sobre combustíveis; 1º: Crescimento da indústria.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-infra/infra-em-1-minuto-redata-e-bom-mas-expoe-entraves-para-investimentos/