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Redata: Incentivo a data centers e entraves para investimentos no Brasil

A aprovação do Redata reduz impostos para data centers no Brasil, mas especialistas alertam que a necessidade de exceções fiscais reflete falhas estruturais no ambiente de negócios.

Redação•05 de set. de 2026, 10:17
Redata: Incentivo a data centers e entraves para investimentos no Brasil
Imagem: site

Redata: Incentivo a data centers e entraves para investimentos no Brasil

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Aprovação do Redata e análise de investimentos

O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lançou neste sábado (5.set.2026) o 178º episódio do programa Infra em 1 Minuto. O especialista em petróleo e gás Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa a aprovação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) pelo Congresso. O programa é publicado semanalmente no canal do Poder360 no YouTube.

No episódio, Rodrigues comemora a aprovação do regime, que reduz a carga tributária sobre equipamentos utilizados na instalação e na ampliação de data centers. Afirma, no entanto, que a necessidade de criar uma exceção fiscal demonstra a dificuldade do Brasil para atrair investimentos pelas regras normais. “O Redata é uma boa notícia. Mas a exceção que a gente comemora é a confissão de que a regra não funciona”, declarou.

Histórico da Aprovação do Redata

A criação do Redata foi inicialmente proposta pelo governo na MP (Medida Provisória) 1.318 de 2025. A medida perdeu a validade em fevereiro de 2026 sem ser votada pelo Congresso. Para preservar o programa, a Câmara aprovou em fevereiro o PL 278 de 2026, que reproduziu o conteúdo do regime. A proposta ficou parada por cerca de 6 meses no Senado, até ser aprovada na 3ª feira (1º.set.2026).

Dois dias depois, Câmara e Senado também aprovaram o PLP 74 de 2026, que enquadra o benefício entre as exceções permitidas pelas regras fiscais de 2026. Os 2 projetos seguem para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Redata suspende o pagamento do Imposto de Importação, do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), do PIS/Pasep e da Cofins na compra, dentro ou fora do país, de equipamentos e componentes de tecnologia destinados aos data centers. O regime terá vigência de 5 anos.

A renúncia fiscal estimada pelo governo é de R$ 5,2 bilhões em 2026, de R$ 1 bilhão em 2027 e de R$ 1,05 bilhão em 2028. Segundo Rodrigues, a medida reduz uma das principais barreiras para a instalação e a ampliação dessas infraestruturas no Brasil.

Fontes de Energia de Baixa Emissão

Rodrigues também elogiou a mudança feita pelo Senado nas exigências relacionadas ao fornecimento de energia. O texto aprovado pela Câmara determinava que 100% da demanda elétrica dos data centers fosse atendida por fontes “limpas ou renováveis”. Os senadores substituíram a expressão por fontes “renováveis ou de baixa emissão”.

Para o especialista, a alteração amplia as opções disponíveis para garantir o fornecimento contínuo de eletricidade exigido por essas instalações. “Parece ajuste de redação, mas não é. Essa mudança abre a porta para gás natural, hidrelétrica, biogás e nuclear”, afirmou. A definição das fontes consideradas de baixa emissão ainda dependerá de regulamentação do governo.

“Data center não pisca. Precisa de energia firme, 24 por 7. E uma reserva de mercado energética era o pior jeito de começar essa indústria”, declarou Rodrigues. Segundo ele, a mudança permite combinar a expansão dos data centers com fontes capazes de fornecer energia de forma contínua, sem restringir o suprimento a determinadas tecnologias. “A aprovação merece ser comemorada: o projeto saiu do Congresso melhor do que entrou”, afirmou.

O Ambiente de Negócios e a Regra Geral

Apesar da avaliação positiva, Rodrigues afirma que o Redata evidencia uma deficiência estrutural do ambiente de negócios brasileiro. Na avaliação dele, o mercado só consegue competir internacionalmente quando o Congresso aprova uma lei específica para afastar obstáculos tributários e regulatórios. Ele comparou o modelo brasileiro ao dos Estados Unidos, onde o mercado atrai investimentos e inovação antes da criação de regras específicas. No Brasil, a lei serve para retirar barreiras impostas pelo próprio Estado.

Histórico do Programa Infra em 1 Minuto

Confira os outros episódios do programa: 

177º: Imposto sobre exportação do petróleo afasta capital; 
176º: O protagonismo de Brasil e a Margem Equatorial; 
175º: Falta de concorrência encarece gás no Brasil; 
174º: Consumidor não escolhe a mistura do etanol na gasolina; 
173º: Corrida da IA é disputa de capacidade de geração de energia; 
172º: Petróleo perto de US$ 100 pressiona governo dos EUA; 
171º: Gargalo de energia ameaça expansão de data centers no Brasil; 
170º: Expansão de renováveis eleva custos de transmissão; 
169º: “Energia mais barata” agrega custos ocultos na conta de luz; 
168º: Vaivém no estreito de Ormuz afeta mercado de petróleo; 
167º: Baterias precisam de mercado, não de subsídio; 
166º: Corte da ONS de domingo revela problema no SIN; 
165º: IA exige energia firme para atrair data centers; 
164º: O mundo eletrifica por preço, o Brasil por subsídio; 
163º: Data centers exigem expansão da geração de energia; 
162º: Papel das térmicas na segurança do sistema elétrico; 
161º: saída dos Emirados Árabes da OPEP+; 
160º: Aumento da mistura de etanol na gasolina; 
159º: O mercado de terras raras; 
158º: Políticas Energéticas em Alta; 
157º: Crise em Ormuz cria janela de oportunidade para o etanol; 
156º: Subsídio ao diesel expõe riscos no setor; 
155º: CeraWeek expõe riscos globais no mercado de energia; 
154º: Análise do reajuste do diesel no Brasil em 2026; 
153º: Análise do mercado global de petróleo em 2026; 
152º: Riscos do estreito de Ormuz; 
151º: Câmara aprova Redata para data centers; 
150º: Setor elétrico inicia 2026 sob agenda regulatória; 
149º: Programa Gás do Povo; 
148º: Potencial do Brasil em minérios críticos; 
147º: Crise do petróleo na Venezuela; 
146º: Análise do setor de energia brasileiro em 2025; 
145º: Análise do Plano de Negócios 26-30 da Petrobras; 
143º: Epidemia das MPs; 
142º: Aprovação da MP do setor elétrico; 
141º: Eletrobras entra no mercado de criptomineração; 
140º: Novo programa de botijão de gás traz desafios; 
139º: Operação Carbono Oculto no mercado de combustíveis; 
138º: Importância da classificação de gasodutos; 
137º: Nova descoberta no Pré-Sal; 
136º: Os riscos e impactos da MP dos data centers; 
135º: Lei das Eólicas Offshore e a crescente CDE; 
134º: Mudanças a caminho do setor elétrico; 
133º: Cresce a presença dos biocombustíveis no mercado doméstico; 
132º: Guerra no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz; 
131º: Balanço Energético Nacional 2025; 
130º: Reforma do setor elétrico; 
129º: Transição na China; 
128º: Lições do Apagão da Europa; 
127º: Retorno da energia nuclear; 
126º: IA pressiona e revoluciona o setor de energia; 
125º: O cancelamento do Leilão de Reserva de Capacidade 2025; 
124º: Pedidos de renovação das concessões de distribuição; 
123º: O avanço do mercado livre de energia; 
122º: Os resultados de 2024 e as tendências do setor de energia; 
121º: Corte no biodiesel mira preço, mas falha na fiscalização; 
120º: Resultados financeiros da Petrobras em 2024; 
119º: Presença do biodiesel no diesel inalterada; 
118º: Auxílio Gás deixa brechas sobre uso do recurso; 
117º: Uma nova ameaça no radar do ONS; 
116º: O reajuste do preço do diesel; 
115º: Sanção do programa de aceleração da transição energética; 
114º: Trump 2.0 e as medidas para o setor de energia; 
113º: O que esperar da defasagem dos combustíveis em 2025; 
112º: Retrospectiva do setor de energia em 2024; 
111º: A demanda por petróleo em 2025; 
110º: A oferta de petróleo em 2025; 
109º: O novo plano estratégico da Petrobras; 
108º: Petrobras tem lucro de R$ 32,6 bi no 3º trimestre; 
107º: Aneel reduz bandeira tarifária de energia após chuvas; 
106º: O Combustível do Futuro; 
105º: Data centers, os novos gigantes do consumo de energia; 
104º: Projeções da Opep+ para o setor de óleo e gás; 
103º: Conta de luz com bandeira vermelha em setembro; 
102º: O segmento de transmissão de energia não pode ficar esquecido; 
101º: Conta de luz ficará mais barata a partir de setembro; 
100º: Petrobras tem prejuízo de R$ 2,6 bi no 2º trimestre de 2024; 
99º: As eleições na Venezuela e o petróleo do país; 
98º: A decisão da ANP sobre o gasoduto Subida da Serra; 
97º: Perdas no sistema de distribuição de energia em 2023; 
96º: Compra direta de gás natural da Bolívia; 
95º: “Imposto do pecado” no setor de óleo e gás; 
94º: Conta de luz mais cara em julho; 
93º: Regras para a renovação de concessões de energia; 
92º: Senado aprova marco legal do hidrogênio verde; 
91º: Política de preços da Petrobras segue nebulosa 1 ano após adoção; 
90º: Caso Light reflete os problemas de distribuição de energia no Brasil; 
89º: Decisão do Cade sobre Petrobras cria insegurança; 
88º: A expansão dos data centers no Brasil; 
87º: A demissão de Prates e o futuro da Petrobras; 
86º: Petroleiras independentes dominam produção onshore pela 1ª vez; 
85º: Os resultados da produção de petróleo em 2023; 
84º: MP que reduz tarifas de energia tem fraquezas de longo prazo; 
83º: Envolvimento do Irã em Gaza pode afetar cadeias globais de energia; 
82º: Preços dos combustíveis seguem defasados apesar de alta internacional; 
81º: Governo estimula descarbonização da indústria automotiva; 
80º: Câmara aprova o PL Combustível do Futuro; 
79º: Aneel reduz valores de bandeiras tarifárias para 2024; 
78º: Mudança na política de dividendos da Petrobras; 
77º: Chuvas evidenciaram crise na distribuição de energia; 
76º: Cade deve liberar Petrobras de compromissos dos TCCs; 
75º: O impasse para definir a tarifa de Itaipu para 2024; 
74º: Governo seguirá com renovação das concessões de energia; 
73º: Guerras na Ucrânia e em Israel afetam mercado de óleo e gás; 
72º: A volta dos investimentos na Refinaria Abreu e Lima; 
71º: Guiana e Venezuela disputam região rica em petróleo; 
70º: Destaques do setor de biocombustíveis em 2023; 
69º: Temas que marcaram o setor elétrico em 2023; 
68º: A indústria de óleo e gás no 3º mandato de Lula; 
67º: Impactos do El Niño no setor elétrico; 
66º: Deputado apresenta projeto para acelerar transição energética; 
65º: Apagão em São Paulo; 
64º: EUA suspendem sanções ao petróleo da Venezuela; 
63º: Exxon Mobil e Chevron investem mais de US$ 100 bi em fontes fósseis; 
62º: A seca no Norte e seus impactos no setor elétrico; 
61º: Produção de hidrogênio a partir de etanol no Brasil; 
60º: Rússia suspende exportação de derivados do petróleo; 
59º: PL do Combustível do Futuro é enviado ao Congresso; 
58º: O peso da volta de PIS/Cofins sobre o diesel; 
57º: Novo PAC pode ajudar a modernizar o setor de energia; 
56º: Apagão nacional mostrou vulnerabilidades do SIN; 
55º: O 1º Investor day da Eletrobras após a capitalização; 
54º: Reaquecimento dos mercados coloca à prova estratégia da Petrobras; 
53º: Redução do preço do gás natural a distribuidoras chega a 25% em 2023; 
52º: Impactos da reforma tributária no setor de energia; 
51º: 1º leilão de transmissão de 2023; 
50º: Aliança Estratégica Brasil-Argentina; 
9º: Gás natural causa divergências entre Petrobras e Minas e Energia; 
48º: Os desafios para a popularização dos carros elétricos; 
47º: Extração e processamento de lítio; 
46º: O pedido de recuperação judicial da Light; 
45º: Fim do prazo das concessões das distribuidoras de energia; 
44º: Fim do sistema de Preço de Paridade Internacional; 
43º: Riscos da reestatização da Eletrobras; 
42º: Interromper desinvestimentos da Petrobras pode afastar capital privado; 
41º: Fim da energia nuclear na Alemanha; 
40º: Potencialidades de exploração do petróleo da Margem Equatorial; 
39º: O risco do fim da autonomia das agências reguladoras; 
38º: O fim dos planos de desinvestimento da Petrobras; 
37º: Participações governamentais nos lucros das petrolíferas em 2022; 
36º: Resultados financeiros da Petrobras em 2022; 
35º: Impactos da reoneração dos combustíveis; 
34º: Os debates sobre contratação de térmicas a gás natural; 
33º: Desafios da transição energética dos combustíveis fósseis; 
32º: As perspectivas para a tributação de combustíveis em 2023; 
31º: As discussões em torno dos combustíveis renováveis; 
30º: Os escolhidos de Lula para o setor de energia; 
29º: Desafios do escoamento da energia elétrica no Brasil; 
28º: Equipe de Lula alimenta insegurança sobre futuro da Petrobras; 
27º: As variáveis da queda do preço do petróleo; 
26º: Brasil avança na expansão do mercado de energia; 
25º: Na COP27, Lula manifesta intenções, mas deixa caminho indefinido; 
24º: O lucro das petroleiras no 3º trimestre; 
23º: Os efeitos dos bloqueios das rodovias; 
22º: Dependência da Alemanha resgata debate sobre uso da energia nuclear; 
21º: Defasagem nos preços X estoques de combustíveis da Petrobras; 
20º: Cresce movimento anti-ESG por flexibilização da descarbonização; 
19º: Com corte na produção, Opep+ sinaliza alta do preço do petróleo; 
18º: Impacto do atraso da operação do gasoduto do pré-sal Rota 3; 
17º: Impacto da demanda por minerais críticos sobre energias renováveis; 
16º: Reino Unido adota medidas emergenciais por crise energética; 
15º: Causas e efeitos da suspensão do fornecimento de gás russo; 
14º: O risco do livre acesso às infraestruturas de petróleo; 
13º: Impacto da privatização dos contratos de partilha de produção do pré-sal; 
12º: O avanço da energia solar no Brasil; 
11º: Reduções do preço do diesel; 
10º: Petrobras pagará R$ 32 bi em dividendos à União; 
9º: O desafio da venda das refinarias da Petrobras; 
8º: Preço da gasolina nas refinarias tem a 1ª redução no ano; 
7º: Obstáculos que Bolsonaro deve enfrentar para compra do diesel russo; 
6º: Atuação no mercado X responsabilidade social da Petrobras; 
5º: Impacto de mudança na política de preços da Petrobras; 
4º: Entenda por que a Petrobras não é uma estatal; 
3º: Alta do preço do barril de petróleo e da inflação; 
2º: Governo quer compensar Estados para reduzir ICMS sobre combustíveis; 1º: Crescimento da indústria.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-infra/infra-em-1-minuto-redata-e-bom-mas-expoe-entraves-para-investimentos/

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