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Rede subterrânea de energia em São Paulo atenua impactos climáticos

A rede subterrânea de energia em São Paulo, com mais de um século de história, ajuda a mitigar impactos climáticos, mas enfrenta desafios como furtos e altos custos de expansão.

Redação•12 de out. de 2026, 13:30
Rede subterrânea de energia em São Paulo atenua impactos climáticos
Imagem: site

Rede subterrânea de energia em São Paulo atenua impactos climáticos

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A infraestrutura subterrânea de distribuição de energia em São Paulo, com histórico centenário, apresenta potencial para diminuir os impactos das mudanças climáticas e de eventos extremos na capital. Os primeiros registros de passagens subterrâneas na cidade datam de mais de cem anos, com a inauguração da primeira câmara de energia em 1925 pela Light and Power Company, empresa canadense. Atualmente, o sistema é administrado pelo grupo italiano Enel.

Com os cabos protegidos abaixo do solo, a exposição a ventos e chuvas diminui consideravelmente. A região central de São Paulo concentra a maior parte dessa infraestrutura. Na década de 1950, o sistema passou por modernização com a inauguração da câmara reticulada Paula Souza. O modelo reticulado oferece maior confiabilidade e redundância, permitindo que, em caso de falhas, outro cabo ac-te um transformador em ponto distinto.

Atualmente, apenas 5% dos clientes da Enel, o equivalente a cerca de 430 mil consumidores, recebem energia de forma subterrânea. Contudo, essa parcela de alto poder aquisitivo, que também abrange hospitais e prédios históricos, consome mais de 20% de toda a eletricidade distribuída pela concessionária. O maior avanço na expansão dessa rede ocorreu nas décadas de 70 e 80, segundo Eliomar Ferreira, engenheiro especialista da Enel. "A importância do subterrêneo é muito grande, principalmente pela robustez e resiliência do circuito, além da demanda. O subterrêneo concentra grande carga em pouco espaço, fora a questão visual e estética da cidade", declarou o engenheiro.

A operação e a manutenção diária do sistema exigem o trabalho de equipes especializadas, que enfrentam espaços pequenos, escuros, úmidos e com presença de baratas, ratos e água. Antes de acessar os locais, os profissionais utilizam um dosímetro para detectar possíveis vazamentos ou acúmulo de gases, garantindo que o ar seja respirável. Bombas também são empregadas para retirar o excesso de água, enquanto os cabos e equipamentos contam com blindagem submersível e vedação completa. No total, a rede subterrânea conta com 6 mil poços e 5 mil galerias.

O processo de distribuição começa nas usinas, passa por torres de transmissão e chega às subestações, onde a tensão é reduzida antes de ser encaminhada aos cabos e transformadores subterrâneos. Um dos principais gargalos na operação é o furto de cabos: entre 2021 e 2025, foram registrados mais de 70 quilômetros de fios furtados. Para mitigar o problema, a concessionária adotou uma tecnologia rústica, utilizando uma tampa acoplada a um bloco de concreto içada por um mini guindaste, medida que pode impactar o tempo de reparo em caso de falhas.

A Enel enfrenta um período de crise em meio a um processo de caducidade após apagões que deixaram milhões sem luz durante vendavais ocorridos em 2024 e 2025. Na última terça-feira (6), uma reunião na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para decidir sobre a antecipação do fim do contrato do grupo foi adiada após pedido de vista do diretor Gentil Nogueira. Atualmente, não há um plano concreto para a ampliação da rede subterrânea.

Projeções da Prefeitura de São Paulo divulgadas em 2024 apontam que seriam necessários cerca de R$ 20 bilhões apenas para enterrar a fiação elétrica na região central, solução que reduziria os apagões, mas que esbarra nos custos elevados. Conforme explicou o ex-diretor da Aneel, Edvaldo Santana, o investimento recairia sobre a tarifa de energia, encarecendo a conta de luz para os consumidores, cenário evitado pelo governo. Em contrapartida, a Enel informou reduções no tempo de atendimento para emergências, que caiu de 733 minutos em 2023 para 684 em 2024, 437 em 2025 e 315 em 2026, além de ampliar o investimento anual de R$ 1,6 bilhão em 2024 para R$ 2,3 bilhões em 2025.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/historia-centenaria-por-baixo-de-sp-poderia-diminuir-impacto-do-clima/

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