A eleição de 2026 registra um recorde histórico com o menor número de palanques em atividade em um segundo turno. Em 4 de outubro, 21 estados — incluindo os dez maiores colégios eleitorais do país — definiram suas disputas locais no primeiro turno, consagrando governadores sem necessidade de nova votação. Essa configuração impõe complexidade extra às campanhas presidenciais, dividindo o cenário entre estados com disputas ativas capazes de desequilibrar a disputa nacional e grandes unidades da federação sem a movimentação intensa de candidatos a governos e ao Congresso, o que gera preocupação para Lula e Flávio Bolsonaro.
Os seis estados que disputam o segundo turno — Amazonas, Acre, Tocantins, Espírito Santo, Distrito Federal e Rio Grande do Norte — somam 7,9% do eleitorado nacional, totalizando 12,5 milhões de eleitores. Embora pareça um contingente menor, o volume equivale quase ao do Rio de Janeiro, o terceiro maior colégio eleitoral do país, com 12,9 milhões de pessoas. A realização de segundo turno e disputas locais acaloradas nesses locais podem atrair mais eleitores às urnas por meio do envolvimento de bases de prefeitos e vereadores, ajudando a combater a abstenção nacional recorde de 21% registrada no primeiro turno.
Polarização em destaque nos estados
Em alguns estados com pleitos em andamento, a votação reproduz a polarização nacional. No Amazonas, maior estado com confronto ativo e 2,8 milhões de eleitores, o senador Omar Aziz (PSD) representa o campo de Lula, enquanto Maria do Carmo é a única candidata do PL de Flávio ainda na disputa estadual. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (13) aponta Aziz com 51% das intenções de voto totais contra 37% da adversária.
No Distrito Federal, com 2,2 milhões de eleitores, a governadora Celina Leão (PP), alinhada a Flávio e Michelle Bolsonaro (PL), disputa com o petista Leandro Grass, que recebeu reforços como o vice-presidente Geraldo Alckmin. Celina obteve 49,93% dos votos válidos no primeiro turno e lidera agora com 53% contra 33% do rival, contando com o apoio de nomes da direita como Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos).
Nas demais disputas estaduais de segundo turno, a polarização não ocorre da mesma forma, mas o Rio Grande do Norte recebeu atenção especial. O estado, reduto governado por Fátima Bezerra (PT), teve visita de Lula no sábado (10) para apoiar o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier. Conhecido na urna como “Cadu de Lula”, o candidato soma 36,2% contra 36,9% de Allyson Bezerra (União Brasil), que não apoia nenhum candidato presidencial. Para a cientista política do Ibmec-SP Deysi Cioccari, Lula atua como grande ativo eleitoral para Cadu.
Vantagem e estratégias no cenário nacional
Nos estados onde a eleição local foi encerrada, Flávio Bolsonaro registrou vantagem inicial ao posar com doze governadores eleitos no primeiro turno, incluindo os gestores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e os comandantes dos três maiores colégios: Tarcísio de Freitas (São Paulo), Cleitinho Azevedo (Minas Gerais) e Douglas Ruas (Rio de Janeiro). Flávio também recebeu apoio de lideranças como Ratinho Jr. (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas Gerais).
Cabos eleitorais mobilizam bases: Tarcísio articulou adesões de legendas como MDB e Podemos e promoveu encontros de prefeitos paulistas com Flávio. Cleitinho divulgou vídeo colando adesivo com a imagem de ambos, e Douglas Ruas organiza atos políticos no Rio de Janeiro. Segundo o cientista político Alberto Carlos Almeida, a atuação dos governadores para fortalecer campanhas municipais é determinante.
Do lado de Lula, a articulação conta com governadores petistas reeleitos como Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí), que viajam com o presidente. Sem palanques nos três maiores colégios — após as derrotas de Fernando Haddad em São Paulo, Patrus Ananias em Minas Gerais e Eduardo Paes no Rio —, a estratégia aposta em grandes atos de rua, a exemplo da manifestação realizada em São Paulo no domingo (11). Um site não oficial registrava 89 atos previstos pelo país na quarta-feira. No Rio, Eduardo Paes anunciou que vai pedir votos para Lula. Enquanto isso, gestores como Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) mantêm postura de neutralidade no segundo turno.
