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Reino Unido aprova exploração de campo de gás no Mar do Norte

Governo britânico autoriza o desenvolvimento do campo de gás Jackdaw no Mar do Norte para reforçar a segurança energética, gerando críticas de ambientalistas.

Redação•21 de out. de 2026, 11:31
Reino Unido aprova exploração de campo de gás no Mar do Norte
Imagem: site

Reino Unido aprova exploração de campo de gás no Mar do Norte

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O governo do Reino Unido autorizou o desenvolvimento do Jackdaw, um novo e importante campo de gás situado no Mar do Norte. A estrutura fica a aproximadamente 241 quilômetros a leste de Aberdeen, na Escócia, e a expectativa é que a produção comece ainda este mês. A decisão ocorre em um momento em que o conflito no Oriente Médio acentua as apreensões globais relativas à segurança energética.

A medida do governo britânico gerou forte oposição de grupos ambientalistas e coincide com a publicação, realizada nesta quarta-feira (21), de um relatório climático da ONU. O documento alerta que o planeta superará inevitavelmente a meta de aquecimento de 1,5 grau Celsius estipulada pelo Acordo de Paris nos próximos anos. Manifestantes também protestaram em Londres nesta quarta-feira (21) contra o início das atividades no campo de Jackdaw.

Três meses antes da autorização, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia classificado as reservas de petróleo e gás do Reino Unido no Mar do Norte como inestimáveis, expressando apoio a explorações na área. O governo britânico, por sua vez, declarou que o aval ao projeto Jackdaw respeita o compromisso legal de diminuir as emissões de carbono e zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até meados desta década.

Segundo comunicado oficial divulgado na quarta-feira (21), a iniciativa deve elevar a produção nacional de gás em cerca de 6% no auge, estendendo o suprimento britânico ao longo de uma vida útil estimada em até 11 anos. A medida visa fortalecer a segurança energética, proteger centenas de postos de trabalho e injetar cerca de £ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 19,5 bilhões) na economia do país. No pico, o Jackdaw poderá fornecer combustível suficiente para aquecer cerca de 1,4 milhão de residências britânicas, de acordo com a Adura, joint venture entre Shell e Equinor responsável pelo empreendimento.

O governo também anunciou a criação do Fundo de Riqueza Energética (Energy Wealth Fund), financiado por receitas fiscais de petróleo e gás do Mar do Norte para investir em energia renovável e de baixo carbono, com aporte inicial de 2 bilhões de libras esterlinas (13 bilhões de reais).

Abordagem pragmática e impactos limitados

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou nesta quarta-feira (21) que a administração adotou uma postura pragmática sobre a região, argumentando que é correto buscar maximizar de maneira responsável as reservas energéticas existentes para ajudar a população diante de grandes dificuldades.

Especialistas apontam, contudo, que o impacto do projeto nas contas de energia e na oferta será restrito. Sam Street, diretor da Frontier Economics, avaliou que o Jackdaw reduzirá a dependência de importações e trará maior resiliência ao abastecimento apenas até certo ponto, mantendo o país dependente do exterior, inclusive da Europa. Street ressaltou que os preços do gás no Reino Unido estão atrelados aos valores europeus e globais do gás natural liquefeito, o que significa que o aumento da extração interna não resultará em uma fonte de energia barata para os consumidores.

Repercussão entre sindicatos e ambientalistas

A decisão foi apoiada por importantes sindicatos, como o GMB e o Unite. Gary Smith, secretário-geral do GMB, elogiou a ação do governo de Andy Burnham voltada à segurança energética. Sharon Graham, secretária-geral do Unite, destacou que a medida preserva empregos para os trabalhadores do Mar do Norte durante a transição.

O próximo passo para o governo britânico será definir a aprovação do campo de petróleo de Rosebank, localizado na costa das ilhas Shetland, na Escócia, que abriga reservas estimadas em 300 milhões de barris. Enquanto Neil McCulloch, CEO da Adura, defende que os argumentos para o projeto são sólidos, críticos ambientais alertam para os riscos. Jess Ralston, da Energy & Climate Intelligence Unit, pontua que 90% dos recursos da bacia já foram extraídos e que o futuro seguro depende de energias limpas. O grupo Uplift também classificou como irresponsável a possibilidade de autorizar o projeto Rosebank diante dos impactos climáticos cada vez mais extremos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/reino-unido-aprova-campo-de-gas-no-mar-do-norte-em-meio-a-crise-energetica/

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