A economia do Reino Unido apresentou um ritmo de crescimento superior ao estimado inicialmente no segundo trimestre, consolidando-se como a nação do G7 com maior expansão ao longo do primeiro semestre de 2026. A divulgação ocorre antes do primeiro orçamento do ministro da Fazenda, John Healey, programado para outubro.
De acordo com informações divulgadas pelo Escritório Nacional de Estatísticas na quarta-feira (30), a produção econômica registrou alta de 0,5% entre os meses de abril e junho. O índice superou a estimativa preliminar, que apontava avanço de 0,4% no Produto Interno Bruto (PIB), patamar que também era aguardado por economistas consultados pela agência Reuters.
Na comparação anual, os dados indicam que o PIB britânico avançou 1,4% no segundo trimestre, revisado para cima frente à projeção inicial de 1,2%. Os números evidenciam a resiliência da economia do país frente a turbulências geopolíticas, à crise global no mercado de títulos e aos elevados preços da energia decorrentes da guerra no Irã, além de refletirem índices de confiança do consumidor em patamares elevados.
O avanço econômico foi verificado em diferentes frentes, com expansão nas atividades dos setores de manufatura, construção civil e serviços. O escritório de estatísticas também revisou o indicador de investimento empresarial no período, elevando a taxa anual para 5,2%, ante a estimativa inicial de 0,8%.
O cenário representa um fôlego para a gestão do primeiro-ministro Andy Burnham, cujo foco é impulsionar a atividade econômica. Na terça-feira (29), durante discurso na conferência anual do Partido Trabalhista, Burnham argumentou que o aumento do controle público sobre serviços essenciais pode contribuir para o fortalecimento da economia.
Especialistas avaliam que o desempenho demonstra maior resistência do que o previsto inicialmente. “A revisão para cima do crescimento real do PIB no segundo trimestre… sugere que a economia tem se mostrado um pouco mais resiliente aos preços mais altos da energia no primeiro semestre do ano do que se pensava anteriormente”, destacou Ashley Webb, economista sênior para o Reino Unido da Capital Economics. A especialista pondera, contudo, que o ritmo poderá desacelerar no quarto trimestre devido ao impacto da inflação sobre a renda real das famílias.
