O fim da meta de 1,5°C?
Há mais de uma década, o mundo busca limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. No entanto, um novo relatório das Nações Unidas indica que essa meta provavelmente será ultrapassada em 2030. A situação é crítica para países insulares, como as nações do Pacífico, que já enfrentam o aumento do nível do mar.
O presidente de Palau, Surangel Whipps Jr., destacou a gravidade da situação, afirmando que apelos por ambição não bastam: é preciso vontade política urgente e investimento real em um futuro climático seguro.
Possibilidade de reversão
Embora o cenário seja alarmante, o relatório aponta que o desvio pode ser temporário. Caso o mundo elimine gradualmente os combustíveis fósseis e reduza emissões, seria possível limitar o pico a 1,8°C e, futuramente, utilizar métodos de remoção de carbono para retornar a 1,5°C ou menos ainda neste século.
Impactos crescentes e o Acordo de Paris
Com o mundo já 1,4°C mais quente em 2026, os desastres climáticos intensificam-se. Secas históricas no Reino Unido, incêndios na França e Espanha, derretimento de geleiras e oceanos mais quentes são realidades atuais. O Acordo de Paris continua sendo a referência central, com a Corte Internacional de Justiça reiterando que o limite de 1,5°C é um compromisso jurídico, sob risco de processos internacionais.
Pontos de inflexão e esperança
Superar a marca de 1,5°C aumenta o risco de eventos irreversíveis, como o colapso de correntes marítimas e a transformação da Amazônia em fonte de emissões. Contudo, o Acordo de Paris segue efetivo ao evitar cenários de aquecimento ainda mais catastróficos, como os 3°C previstos anteriormente. O crescimento exponencial da energia solar e dos veículos elétricos mostra que a transição é viável. A cooperação global, o financiamento de adaptação e a COP31, sob liderança da Austrália na Turquia, são vistos como caminhos necessários para manter a meta viva.
