A inclusão do Brasil em um relatório do governo dos Estados Unidos sobre tráfico de drogas elevou as tensões diplomáticas entre os dois países. O documento, enviado ao Congresso norte-americano, afirma que a gestão brasileira falhou no combate ao Comando Vermelho e ao PCC.
Segundo a analista de política Clarissa Oliveira, o documento coloca o Brasil em destaque em uma lista de nações que representariam risco ou ameaça no enfrentamento ao narcotráfico. Durante o Live CNN desta quinta-feira (17), a especialista pontuou que a avaliação equipara o país a locais onde o tráfico domina estruturas de poder.
Componente político e contexto eleitoral
Clarissa Oliveira destacou que a publicação possui um caráter essencialmente político, e não técnico. Para a analista, há uma evidência de tom amigável com governos de direita e críticas severas a gestões de esquerda onde os Estados Unidos buscam exercer influência. O timing do documento também foi apontado como relevante, ocorrendo a poucos dias de uma eleição.
A analista ressaltou que a administração de Luiz Inácio Lula da Silva já previa movimentações do governo de Donald Trump para tentar influenciar o processo eleitoral brasileiro à medida que o pleito se aproximasse. A âncora Elisa Veeck também chamou atenção para o contraste com a Colômbia, pontuando que Trump elogiou o governo colombiano, afirmando que o país realiza um ótimo trabalho.
Reação do governo brasileiro
Em resposta às declarações de Donald Trump, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, declarou que a administração federal pretende rebater formalmente a avaliação dos EUA.
Em entrevista à CNN concedida ao analista de Segurança Pública Elijonas Maia, o ministro citou uma operação realizada na quarta-feira (16) que resultou em 137 prisões e no bloqueio de mais de R$ 508 milhões. A ação mobilizou polícias estaduais, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal em 19 estados.
Wellington Lima afirmou que as ações desmentem a fala de Trump e destacou que o país combate mais de 30 facções criminosas. Além disso, o ministro pontuou que a afirmação de Trump não estaria fundamentada no documento do governo norte-americano e que o Brasil não figuraria de forma oficial na referida lista.
