O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou que os Estados Unidos não têm autoridade moral para cobrar o Brasil no combate ao tráfico de drogas e defendeu o desenvolvimento de capacidade nuclear nacional a longo prazo. As declarações foram feitas durante participação no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, com os editores José Benedito da Silva e Diogo Schelp.
As críticas de Renan ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviar um documento ao Congresso americano apontando falhas do governo brasileiro no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). No documento, as organizações são tratadas como terroristas internacionais e o Brasil é apontado como centro para o fluxo global de cocaína.
Questionado sobre o tema, Renan declarou ver a atuação dos Estados Unidos com preocupação. Ele afirmou apoiar uma política rigorosa contra o crime organizado e o fim das facções, mas rejeitou a projeção de poder americana na América Latina. O candidato argumentou que os americanos são o principal mercado consumidor de drogas globalmente, o que, em sua avaliação, retira a moral dos Estados Unidos para fazer cobranças ao Brasil sobre o tráfico.
Propostas de combate às facções e soberania
Durante a entrevista, Renan apresentou propostas para enfrentar o crime organizado em âmbito nacional, afirmando que operações isoladas são insuficientes contra grupos como PCC e Comando Vermelho. Sua estratégia envolve:
- Controle rigoroso de fronteiras
- Combate à movimentação financeira das facções criminosas
- Atuação intensificada em portos
- Firmamento de acordos de cooperação internacional
- Ação conjunta entre governo federal, Polícia Federal, Forças Armadas, administrações estaduais e órgãos de inteligência
Sobre a proposta de desenvolver uma bomba atômica brasileira, o candidato explicou que a medida faz parte de um plano amplo de soberania nacional. Antes disso, segundo ele, o país precisa reaver sua capacidade de investimento estatal e reestruturar a indústria bélica. Renan estimou que o projeto demandaria um horizonte de longo prazo, estruturando-se ao longo de uma década e estendendo-se por dez a vinte anos com foco em tecnologia, recursos estratégicos, relações internacionais e defesa.
Para o candidato, a bomba atômica seria um instrumento para transformar o Brasil em uma potência diante de um cenário de nova Guerra Fria, além de influenciar o alinhamento com outros blocos e a projeção internacional na América Latina, na África e em nações lusófonas. Renan sustentou que nações de grande porte territorial, populacional, econômico e de recursos naturais possuem armamento nuclear, apontando o Brasil como exceção e defendendo que o país precisa dessa capacidade para integrar o chamado grande jogo internacional.
