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Economia

Rio Tapajós: falta de dragagem preventiva gera alerta sobre prejuízos

Especialistas e entidades alertam para os riscos econômicos e logísticos da falta de dragagem preventiva no rio Tapajós frente ao El Niño.

Redação•23 de set. de 2026, 12:17
Rio Tapajós: falta de dragagem preventiva gera alerta sobre prejuízos
Imagem: site

Rio Tapajós: falta de dragagem preventiva gera alerta sobre prejuízos

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O Brasil possui condições para se consolidar entre os corredores logísticos mais eficientes do mundo, aliando baixo custo, escala e menor emissão de poluentes, competindo diretamente com grandes potências como os Estados Unidos e a Argentina. Contudo, a vantagem natural esbarra em gargalos estruturais históricos que frequentemente recebem pouca atenção do governo federal, especialmente em relação a acessos, ferrovias e navegabilidade.

A urgência por investimentos na área ganhou força diante das previsões climáticas. Com projeções do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) indicando 98% de probabilidade de um El Niño intenso em 2026 — com impactos que podem perdurar até fevereiro de 2027 —, a necessidade de dragagem no rio Tapajós passa a ser tratada como prioridade. O cenário lembra a crise enfrentada entre 2023 e 2024, quando secas severas na Amazônia causaram um déficit de chuvas de até 80 mm na Bacia do Tapajós.

Apesar de o governo federal ter destinado cerca de R$ 300 milhões nos últimos três anos para dragagens emergenciais em hidrovias da Amazônia, com foco no Rio Madeira, a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) aponta que o modelo reativo é frágil, pois as medidas costumam ser adotadas apenas após o problema já estar instalado. A entidade defende que a dragagem precisa ser concluída antes da seca para garantir a navegabilidade e evitar o desperdício de recursos.

Entretanto, conforme informações do portal Poder360 citadas no debate, o governo federal não planeja realizar a dragagem no trecho do rio Tapajós situado entre Itaituba e Santarém, contrariando recomendações dos setores logístico, de transportes e do agronegócio. A alternativa em avaliação seria o uso de uma solução rodoviária, considerada mais custosa, demorada e poluente.

O setor produtivo já quantificou os impactos dessa inércia. Um ofício enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em parceria com mais de 30 entidades, alerta que a ausência da dragagem pode ocasionar prejuízos de até R$ 850 milhões e paralisar as atividades por até quatro meses. Estimativas do MoveInfra indicam que, considerando o volume médio movimentado de 1,2 milhão de toneladas mensais no Tapajós, a troca de barcaças por caminhões elevaria o valor do frete para R$ 250 por tonelada.

As consequências da adoção do modal rodoviário incluem ainda uma redução no escoamento de grãos de até 5 milhões de toneladas e um acréscimo de 55 mil toneladas nas emissões de carbono. Na seca de 2025, as perdas fiscais nas receitas de municípios como Itaituba, Santarém e Barcarena totalizaram R$ 7,6 milhões, impactando os investimentos públicos e a economia local. Além disso, o setor hidroviário projeta que uma paralisação pode eliminar de 10 mil a 13 mil postos de trabalho na região Norte.

O artigo foi assinado por Alex Carvalho, presidente da Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará) e do Coinfra (Conselho de Infraestrutura) da CNI.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/a-urgencia-dos-investimentos-em-dragagem-no-rio-tapajos/

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