Em entrevista à revista VEJA publicada na edição nº 3014, de 25 de setembro de 2026, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirmou que pretende alterar o rito de impeachment no Supremo Tribunal Federal (STF) caso venha a ocupar a presidência do Senado em uma eventual vitória da chapa do PL.
Segundo Marinho, a abertura de processos de cassação de ministros do STF passará a ser automática caso 49 senadores assinem o pedido. O parlamentar declarou que o presidente do Congresso também poderá iniciar o procedimento se entender que há elementos suficientes. Para o senador, o cenário político atual no Senado carece de maioria pró-impeachment e ele criticou o atual presidente da Casa por participar de um jantar na residência do ministro Alexandre de Moraes.
Questionado sobre as provas contra magistrados, Marinho afirmou que analisará os elementos como magistrado e que votará favorável ao afastamento definitivo se for convencido pelas provas. Ele também criticou a sessão do STF que adiou a decisão sobre investigar Alexandre de Moraes, classificando o episódio como um espetáculo de deboche com firulas legais.
A entrevista também abordou temas econômicos e campanhas eleitorais. Sobre o caso Dark Horse, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, Marinho argumentou que a relação ocorreu entre entes privados e que o recurso solicitado não foi administrado ou investido por Flávio, mas enviado a um fundo nos Estados Unidos e repassado a uma produtora. O senador contrastou o caso com a atuação de integrantes do governo Lula, citando Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Jaques Wagner.
Marinho criticou ainda a relação do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com o presidente Lula, alegando tentativa de acobertamento em investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Em relação ao reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo, o senador pontuou que a medida ocorreu a quinze dias do primeiro turno, demonstrando foco em perpetuação no poder, e criticou os indicadores econômicos atuais, afirmando que a taxa Selic projetada em 7,75% para o final de 2025 no relatório Focus de 2022 chegou a quase 15%.
Como prioridades para o Congresso, Marinho defendeu a reforma do Judiciário, o estabelecimento de mandatos para juízes, o fim das decisões monocráticas e a regulamentação dos supersalários em parceria com o Judiciário. Na área fiscal e administrativa, o senador defendeu a realização de reformas administrativa e tributária para reverter o crescimento da dívida pública e atrair investimentos privados.
