Críticas severas ao STF em sabatina
Durante uma sabatina no programa VEJA em Foco, Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República, expressou críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ao abordar a crise gerada por mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro destinadas ao ministro Alexandre de Moraes, Zema declarou que “não tem um brasileiro que não esteja indignadíssimo” com o cenário atual. O candidato defendeu a necessidade de uma renovação do Senado Federal para lidar com o que classificou como problemas graves na Corte.
A gravidade da situação institucional
Questionado pela apresentadora Marcela Rahal sobre os acontecimentos no Supremo e suas possíveis ações caso eleito presidente, Zema descreveu a realidade como “um absurdo”, “algo surreal” e “um show de horrores”. Segundo o candidato, um ministro da mais alta instância jurídica do país teria oferecido “consultoria jurídica” a Vorcaro, a quem ele se referiu como “banqueiro bandido”. Zema enfatizou que a situação é “seríssima e gravíssima”, pontuando que, em qualquer país sério do mundo, o episódio resultaria em prisões.
O papel do Senado e o impeachment de ministros
Zema defendeu que o Senado deve pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, apontando uma suposta proteção mútua entre as instituições. Ele criticou a atuação da Procuradoria-Geral da República e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, especificamente no contexto de investigações ligadas ao Banco Master. O candidato depositou confiança no resultado das urnas em 4 de outubro, acreditando que uma renovação parlamentar poderá levar ao afastamento de ministros considerados por ele inadequados para permanecer na Corte.
Percepção pública e confiança na Corte
De acordo com Zema, o STF, que historicamente possuía o respeito e o crédito da população, sofreu uma mudança de percepção nos últimos anos. Ele argumentou que o desgaste está concentrado em alguns membros específicos da Corte e manifestou esperança de que o próprio plenário do Supremo demonstre “coragem e discernimento” para tomar as providências necessárias. Se eleito, Zema prometeu respeitar as atribuições do STF, mas buscar mudanças na composição da instituição por vias políticas legais. “Farei de tudo para que a lei seja respeitada”, afirmou, acrescentando que “fruta podre, sinceramente, não dá para manter”.
Estratégia eleitoral e temas de campanha
O editor de Política da VEJA, José Benedito da Silva, questionou se a fixação de Zema no tema STF, recorrente em suas redes sociais como o X, poderia desviar a atenção de outros problemas nacionais na reta final da campanha. Zema admitiu que o assunto ganhou destaque, mas justificou que o país foi “pego de surpresa” pelos fatos recentes que dominaram as manchetes. Ele assegurou que sua campanha seguirá tratando de temas como saúde, educação e infraestrutura, ressaltando que a corrupção é a raiz de muitas deficiências nessas áreas setoriais.
Relações sob suspeita e crime organizado
Zema também citou o ministro Gilmar Mendes, mencionando que integrantes do STF teriam utilizado jatinhos de Vorcaro e que o banqueiro teria patrocinado fóruns jurídicos associados ao ministro. O candidato associou o caso do Banco Master a uma fragilidade institucional que permite a aproximação do crime organizado com as estruturas do Estado. “Tudo isso que aconteceu com o Banco Master mostra como as nossas instituições estão vulneráveis à bandidagem”, concluiu Zema durante o debate sobre segurança pública.
