As exportações de diesel da Rússia têm potencial para retornar a patamares próximos aos anteriores à crise e acima das quantidades estabelecidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita nesta segunda-feira (12) pelo vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, em entrevista ao canal estatal de televisão Rossiya-24.
O anúncio ocorre após o governo americano suspender temporariamente as sanções aplicadas ao combustível da Rússia e depois de Trump afirmar, na sexta-feira (9), que o país concordou em abastecer os mercados globais. As restrições anteriores tinham como objetivo cortar as receitas de Moscou utilizadas no conflito contra a Ucrânia.
Segundo Novak, que também atua como assessor do presidente Vladimir Putin para assuntos petrolíferos, a Rússia possui capacidade para elevar os embarques. “Vamos ver como a situação se desenvolve, mas a Rússia tem capacidade para aumentar as exportações de diesel”, declarou o vice-primeiro-ministro. Ele estimou que os volumes possam alcançar de 3,0 a 3,5 milhões de toneladas métricas por mês até o final do ano.
Antes da onda de ataques com drones conduzida pela Ucrânia contra refinarias russas entre 2024 e 2025, os embarques mensais de diesel da Rússia superavam 3 milhões de toneladas métricas. O setor também enfrentou restrições autoimpostas, embora Moscou tenha mantido o fornecimento para nações da Ásia Central por meio de acordos intergovernamentais, somando 427 mil toneladas no mês passado, conforme dados de fontes do setor.
O cenário econômico nos Estados Unidos é marcado pela alta acentuada nos preços do diesel, o que afeta diretamente agricultores e caminhoneiros, gerando preocupações políticas e eleitorais com vistas às eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro.
De acordo com Novak, o pacto com Trump ajudará a equilibrar a oferta e a demanda em nível global. “Já estamos vendo esse efeito, inclusive nos mercados globais de diesel, onde os preços caíram cerca de 5 a 6%”, pontuou.
Na última sexta-feira, Donald Trump declarou que a Rússia repassará imediatamente mais de 300 mil toneladas métricas — equivalentes a 2,25 milhões de barris — para os mercados norte-americano e internacional. O volume corresponde a menos de um dia de consumo para o setor de transportes nos EUA, cuja demanda diária é de aproximadamente 2,94 milhões de barris, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos. Adicionalmente, Trump mencionou que o governo russo enviará mais 500 mil toneladas em novembro e um milhão de toneladas em seguida.
