Rússia em posição enfraquecida pode escalar conflitos com a Otan
Autoridades da CIA (Agência Central de Inteligência) dos Estados Unidos avaliaram, antes da viagem do diretor John Ratcliffe a Moscou nesta semana, que a Rússia está em uma posição cada vez mais fraca no campo de batalha na Ucrânia. Segundo quatro fontes ouvidas pela CNN, isso poderia levar Moscou a tomar medidas militares contra a Otan, como uma estratégia de “escalar para desescalar”.
Embora não haja informações específicas sobre um ataque iminente, alertas de inteligência recentes indicam que a Rússia poderia intensificar esforços de sabotagem, realizar ataques cibernéticos ou com drones, ou até mesmo uma ação mais grave, como uma tomada de território na Europa.
Viagem de Ratcliffe a Moscou reforça compromisso dos EUA com a Otan
A missão de John Ratcliffe a Moscou foi a primeira de um diretor da CIA à capital russa desde 2021. O objetivo foi alertar o serviço secreto russo sobre as consequências de um eventual ataque a países membros da Otan, semelhante à advertência feita por William Burns em 2021, que não foi acatada antes da invasão da Ucrânia.
Donald Trump, no entanto, negou publicamente essa narrativa e afirmou não estar preocupado com tal possibilidade. Ainda assim, a preocupação entre aliados dos Estados Unidos é real, com temor de que Putin possa se sentir encorajado a novas ofensivas diante de um afastamento gradual dos EUA em relação à Otan.
Estratégia russa visa criar divisões na Otan, diz especialista
Segundo Vitelio Brustolin, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, a estratégia russa visa criar uma cisão dentro da Otan. “Se Putin consegue, com uma operação simples e barata, criar uma discussão entre Estados Unidos e países europeus, entre países europeus ocidentais e orientais, entre os governantes e as populações desses países, ele tem uma vitória estratégica”, afirmou.
O analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, destacou que Ratcliffe levou duas mensagens adicionais a Moscou: a de que os Estados Unidos honrarão o Artigo 5º do tratado da Otan e a de que a Rússia está em condições militares e econômicas desfavoráveis para continuar a guerra.
China limita ações de Putin, aponta análise
Lourival Sant’Anna também chamou atenção para o papel da China como fator limitante para Putin. “A China não quer que nenhum país, seja o Irã, seja a Rússia, traga uma desordem econômica”, disse, lembrando que a economia chinesa ainda depende fortemente do comércio internacional. Uma escalada militar russa que envolvesse diretamente países como o Reino Unido arrastaria toda a Otan para o conflito, cenário que Pequim claramente quer evitar.
