O salário mínimo atual está fixado em R$ 1.621 e serve de referência para 61,9 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O indicador econômico é base para trabalhadores assalariados, servidores públicos, beneficiários da Previdência Social, do BPC e do abono salarial, além de influenciar a remuneração de trabalhadores sem carteira assinada.
O que dizem as campanhas presidenciais
Falando em nome da campanha de Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a manutenção da atual fórmula que prevê aumento acima da inflação para o salário mínimo, com limite de 2,5% de alta real, em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida continuará atrelada aos benefícios previdenciários. A proposta de orçamento para 2027 prevê um salário mínimo de R$ 1.741.
O ministro Durigan declarou: "Será dada continuidade ao processo de ajuste fiscal iniciado em 2023, que reduziu o déficit em, aproximadamente, 2% do PIB, preservando a fórmula de reajuste do salário mínimo, com ganho real, conforme proposta apresentada e aprovada, bem como as vinculações aplicáveis aos benefícios previdenciários".
Por sua vez, a equipe de campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que promete um "tesouraço" nos gastos públicos, não respondeu diretamente aos questionamentos sobre a alteração do formato de correção ou a manutenção da vinculação dos benefícios previdenciários ao piso. A equipe apontou que o candidato tem dito que "não irá mexer no salário mínimo nem na aposentadoria dos brasileiros", sem esclarecer na prática o significado disso sobre reajustes reais ou vinculações, tampouco detalhou a proposta para o modelo de correção.
A equipe de Flávio Bolsonaro declarou: "Ao contrário do cenário de caos nas contas públicas criado por Lula, o processo de consolidação fiscal proposto pela equipe de Flávio Bolsonaro será feito pelo lado da despesa, com o fim de privilégios e penduricalhos e a racionalização de gastos ineficientes, com redução de impostos (...) Agiremos com responsabilidade, eficiência e coragem para racionalizar despesas e reconstruir as contas públicas. O Brasil será recolocado no caminho da prosperidade e desenvolvimento".
Histórico recente e regras de cálculo
Pela Constituição brasileira, o reajuste periódico do salário mínimo deve preservar seu poder de compra utilizando como referência o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sem impedir ganhos acima da inflação. No governo Jair Bolsonaro (PL), até 2022, o reajuste seguiu o INPC do ano anterior sem aumentos reais concedidos pela equipe econômica comandada por Paulo Guedes. Em outubro de 2022, Guedes afirmou que os benefícios previdenciários seriam "desindexados" do salário mínimo, mas negou que fosse para subirem menos, e dias depois disse que haveria alta real no ano seguinte.
Com a posse de Lula em 2023, a gestão retomou a fórmula da ex-presidente Dilma Rousseff, combinando a inflação do ano anterior com a variação do PIB de dois anos antes. No fim de 2024, a regra foi alterada para limitar a alta real a 2,5%, adequando-se ao arcabouço fiscal.
Cálculos do g1, confirmados pela Instituição Fiscal Independente (IFI), apontam que se a política do governo Jair Bolsonaro tivesse sido mantida a partir de 2023, o salário mínimo atual estaria em R$ 1.451, valor R$ 170 menor do que o patamar vigente.
Impactos econômicos e contas públicas
Segundo avaliação do Dieese do fim de 2025, o aumento real reduziu desigualdades salariais entre gêneros, raças e regiões. O crescimento do piso estimula a atividade econômica (PIB) via demanda, impulsionando a arrecadação federal.
Em contrapartida, a alta real eleva as despesas governamentais. Cada R$ 1 de aumento no piso gera uma alta de gastos superiores a R$ 400 milhões ao ano, pressionando a inflação e contribuindo para o desequilíbrio das contas públicas, que registram déficits recorrentes desde 2014, com exceção de 2022. O aumento real do salário mínimo, somado a outras despesas governamentais, elevou a dívida pública a 82,9% do PIB em agosto.
