A candidata à Presidência da República pela Unidade Popular (UP), Samara Martins, declarou nesta sexta-feira (18.set.2026) que o verdadeiro absurdo nas contas públicas do país é o pagamento de juros da dívida pública, termo que definiu como “bolsa-banqueiro”, e não o Bolsa Família. O posicionamento foi manifestado durante um debate em São Paulo, realizado em conjunto pelo Metrópoles, pelo podcast Inteligência Ltda. e pelo G4.
Durante o evento, Samara argumentou que a dívida absorve trilhões do orçamento e defendeu a necessidade de priorizar a renda e o emprego da população. “O que é um absurdo no nosso país é o bolsa-banqueiro, que leva R$ 1,8 trilhão do nosso orçamento. Não é o Bolsa Família. É necessária a geração de emprego e o aumento da renda do nosso povo, porque 80% das famílias estão endividadas para garantir comida”, afirmou a candidata.
A manifestação ocorreu após o governo federal anunciar, na quinta-feira (17.set), a elevação do piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. A alteração gerou críticas de opositores devido à proximidade com o primeiro turno do pleito. Cálculos do governo apontam um impacto financeiro adicional de R$ 5,8 bilhões entre outubro e dezembro de 2026, além de R$ 22,7 bilhões anuais a partir de 2027. A equipe econômica do Executivo assegurou que o montante será viabilizado por meio de remanejamentos orçamentários, dispensando créditos extraordinários.
Relações de trabalho e propostas econômicas
No campo trabalhista, a candidata contestou a negociação individual de jornadas e defendeu o encerramento da escala 6x1, sustentando que a classe trabalhadora carece de poder de barganha frente aos empregadores. Na visão da postulante ao Planalto, sempre que direitos trabalhistas entram em pauta, alega-se que o país enfrentará colapso financeiro.
Diante da dívida pública que alcançou R$ 9,29 trilhões em julho, Samara propôs o redirecionamento de verbas direcionadas aos juros para áreas como saúde, educação, fomento industrial e inovação tecnológica. Entre suas propostas constam ainda frentes emergenciais de trabalho estatais, diminuição da jornada sem corte de salários e a reestatização de companhias privatizadas. Dados do IBGE indicam que a taxa de desemprego no país ficou em 5,4% no segundo trimestre de 2026, com queda na desocupação em 13 das 27 unidades federativas em comparação ao trimestre anterior.
Participantes do debate
O encontro em formato de podcast contou com a presença de Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP). Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) estiveram ausentes.
