Diante do histórico de tragédias provocadas por fortes chuvas e da intensificação prevista pelo El Niño 2026 — iniciado em junho e apontado como um dos mais devastadores das últimas décadas —, Santa Catarina corre contra o tempo para viabilizar obras de infraestrutura e contenção de enchentes. Na última quinta-feira (4), o estado foi atingido por dois grandes tornados, em Chapecó e Xanxerê, resultando em quatro municípios em situação de emergência.
Segundo a Defesa Civil do estado, as ocorrências relacionadas às chuvas afetaram 49.909 pessoas e deixaram 25 feridos. Além disso, nota técnica nº 2/2025 do Cemaden aponta que 218 dos 295 municípios catarinenses estão em áreas suscetíveis a enxurradas e inundações, o que representa quase 80% do território estadual.
Parque Inundável do Rio Camboriú
Para mitigar os impactos, empresários do setor privado iniciaram uma mobilização para acelerar projetos essenciais. O Instituto +BC, mantido por mais de 40 empresas, investiu R$ 400 mil para atualizar em 60 dias o projeto do Parque Inundável do Rio Camboriú. A iniciativa vai beneficiar mais de 275 mil moradores de Camboriú e Balneário Camboriú, no litoral norte.
Com a atualização técnica entregue, a Prefeitura de Balneário Camboriú conseguiu apresentar a documentação exigida para captar R$ 73 milhões em recursos do Novo PAC, programa de investimentos do Governo Federal em parceria com o setor privado, municípios e ONGs.
Detalhes da Estrutura
- Regularização da vazão do Rio Camboriú em períodos de seca e retenção de volume durante temporais.
- Barragem com aproximadamente 1,6 quilômetro de extensão e até 7,6 metros de altura.
- Reservatório com capacidade de armazenamento entre 2 e 3 bilhões de litros de água.
- Recuperação de áreas ambientais, inclusão de ciclovias e criação de espaços públicos de lazer no entorno.
Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC, ressaltou que a escassez de projetos técnicos bem elaborados é o principal entrave para que as prefeituras consigam recursos e retirem obras do papel. “O Instituto assumiu esse custo porque entendemos que obras estruturantes precisam de projetos bem elaborados e condições para que o poder público possa executá-los”, afirmou.
O grupo empresarial atua desde 2017 em iniciativas ambientais, tendo participado anteriormente de estudos que fundamentaram o alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú.
