Uma sessão realizada na última terça-feira, 15, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), foi marcada por cenas de forte embate e insultos. O tumulto teve o objetivo de impedir a abertura de investigação sobre o juiz Alexandre de Moraes, que é suspeito de manter relações impróprias com o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraudes no mercado financeiro.
A manobra resultou em um impasse favorável aos interesses imediatos de Moraes e de aliados, como os juízes Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. No entanto, a medida apenas adiou a investigação e reduziu as chances de uma ofensiva por nulidades processuais. O episódio evidenciou a perda de controle do STF sobre a crise de confiança gerada pelas revelações de uma rede de contatos que protegia o caixa das empresas do grupo Master.
As investigações apontam que, em um único telefone de Daniel Vorcaro, foram encontradas mensagens de texto, áudio, fotografias e vídeos envolvendo autoridades do governo, do Congresso e do Judiciário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar preocupado com a repercussão da crise na reta final da campanha eleitoral, mencionando o conteúdo dos arquivos apreendidos.
O juiz Flávio Dino declarou que o sistema judicial vive o momento mais corrupto da história e foi o autor do requerimento que obstruiu a decisão do STF sobre Alexandre de Moraes. Moraes está sob suspeita devido à contratação de seu escritório de advocacia pela família do ex-banqueiro Vorcaro, em um valor total de 131 milhões de reais (25,1 milhões de dólares), dos quais a polícia aponta que cerca de 80 milhões de reais (15,3 milhões de dólares) foram pagos antes da prisão.
Outro citada no escândalo é a movimentação envolvendo Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República. Segundo o texto, ele confessou ter pedido ao ex-banqueiro Vorcaro o valor de 124 milhões de reais (23,8 milhões de dólares) para a cinebiografia de seu pai, tendo recebido 61 milhões de reais (11,7 milhões de dólares), quantias consideradas anormais nos mercados de serviços de advocacia e produção cinematográfica.
O desabamento da pirâmide financeira do Master gerou confusão institucional envolvendo órgãos como Coaf, Banco Central, Receita Federal, Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, Congresso, STF e o Palácio do Planalto. Delegados federais manifestaram revolta contra articulações internas na mais alta Corte, enquanto juízes do STF devem enfrentar um cenário de desconfiança e a possibilidade de uma reforma do Poder Judiciário articulada pelo novo Congresso.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/fim-de-ciclo/
