A indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos passou a integrar a inteligência artificial e a biotecnologia em diferentes etapas operacionais. A utilização de algoritmos abrange desde a seleção de matérias-primas e testes de formulações até a realização de diagnósticos faciais e capilares no ponto de venda.
As inovações e os reflexos dessas tecnologias no mercado integraram os debates do Summit Inovação Abihpec 2026, realizado em São Paulo pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), os sistemas de IA auxiliam na identificação de padrões, na elaboração de fórmulas e na escolha de insumos, permitindo análises mais ágeis e decisões fundamentadas em dados.
A tecnologia também possibilita diagnósticos individualizados por meio de dispositivos que mapeiam características físicas da pele e dos cabelos, sugerindo produtos adequados tanto no ambiente digital quanto nas lojas físicas. Segundo Ariadne Morais, diretora de Inovação e Assuntos Regulatórios da Abihpec, a personalização avança com o suporte de ferramentas que analisam preferências e características dos consumidores, direcionando recomendações no e-commerce e no varejo.
Além disso, a união entre inteligência artificial e biotecnologia impulsiona o estudo de moléculas e ingredientes. A bioprodução em ambientes controlados amplia a escala de produção e aumenta a eficiência no uso de recursos.
Acesso para PMEs e desafios regulatórios
O uso da inteligência artificial não se restringe às grandes multinacionais. Pequenas e médias empresas encontram alternativas para otimizar processos e superar barreiras de investimento inicial por meio de linhas de crédito e fomento de órgãos como a Finep e a Embrapii.
Em contrapartida, o avanço tecnológico traz exigências éticas e regulatórias. Conforme alerta Ariadne Morais, a governança de dados, a segurança da informação e a proteção da propriedade intelectual — incluindo questões de autoria e uso de dados protegidos — demandam atenção rigorosa das empresas durante os processos de inovação.
Cenário econômico e reforma tributária
A corrida tecnológica ocorre em meio a transformações macroeconômicas. A Abihpec avalia que a reforma tributária trará competitividade ao setor por meio da desoneração de investimentos, simplificação de obrigações e reorganização da não cumulatividade de impostos. O presidente da entidade, Luiz Carlos Dutra, afirmou que a instituição apoia a medida desde o início das discussões, destacando que os impactos positivos superam eventuais perdas pontuais de benefícios.
Paralelamente, a busca por eficiência tecnológica responde às oscilações na renda das famílias. O orçamento apertado gera um "efeito ampulheta" no consumo, fazendo com que os consumidores alternem entre itens básicos de menor valor e produtos de alta performance. Dados da pesquisa Consumer Pulse 2026, da Bain & Company, apontam que as finanças são a principal fonte de estresse para 57% dos brasileiros, enquanto saúde e bem-estar aparecem em segundo lugar, com 46%.
Para Daniela Carbinato, sócia da Bain & Company, o consumidor realiza escolhas intencionais sobre em quais categorias e subcategorias está disposto a pagar mais caro. Com isso, o desafio das grandes marcas é manter as vendas ativas sem recorrer a descontos generalizados que comprometam as margens de lucro.
