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Economia

Setor florestal e a revolução do mercado de carbono no Brasil

O setor florestal brasileiro pode gerar R$ 1,5 bilhão com créditos de carbono, transformando a preservação em um ativo estratégico para a economia nacional.

Redação•28 de ago. de 2026, 08:05
Setor florestal e a revolução do mercado de carbono no Brasil
Imagem: site

Setor florestal e a revolução do mercado de carbono no Brasil

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As florestas destinadas à restauração no Brasil possuem o potencial de reter 9,6 milhões de toneladas de carbono anualmente, o que pode gerar até R$ 1,5 bilhão em créditos negociáveis, conforme estimativas da LEK Consulting. Essa oportunidade vai além da recuperação de áreas degradadas, pois o avanço da regulamentação do mercado de carbono promete abrir frentes de negócios para florestas plantadas, indústria madeireira e projetos de conservação.

Critérios para Geração de Créditos

O potencial econômico não depende apenas da extensão florestal. A transformação do carbono em ativo negociável exige critérios rigorosos de adicionalidade, mensuração, verificação e permanência. Eric Emiliano, sócio da LEK Consulting, destaca a necessidade de separar os ativos em quatro categorias: florestas plantadas, nativas conservadas, regeneradas e créditos jurisdicionais em áreas públicas. A lógica da adicionalidade é central: para gerar crédito, a remoção deve ser algo novo, que não ocorreria sem o incentivo econômico.

Ciclo Industrial e Expansão

Na indústria de celulose, o ciclo convencional de plantio e colheita (como o do eucalipto) nem sempre significa remoção adicional permanente. O consultor explica que o maior potencial reside na expansão para áreas anteriormente sem estoque de carbono, como pastagens degradadas ocupadas por novas espécies. Além disso, tecnologias industriais, como a captura de CO₂ em chaminés (potencial de R$ 3,6 bilhões) e a produção de biocarvão (R$ 1 bilhão), oferecem novas vias de valorização.

Marcos Legais e Regulamentação

A Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), mas sua operacionalização ainda depende de regras claras para mensuração e fiscalização. Adriano Scarpa Tonaco, da Ibá, ressalta que a regulamentação trará a previsibilidade necessária, permitindo que empresas industriais compensem suas emissões com suas próprias bases florestais através de um balanço de remoções. Isso altera a estratégia de investimento, onde novas áreas florestais passam a ser avaliadas tanto pela madeira quanto pelo carbono removido.

Diferencial Competitivo Brasileiro

O Brasil possui vantagens comparativas como clima favorável e silvicultura desenvolvida. Ailson Loper, da Apre Florestas, enfatiza que a velocidade de crescimento das árvores no país atrai olhares globais, mas para transformar isso em vantagem competitiva, é preciso segurança jurídica para monetizar os ativos. O setor florestal brasileiro mantém cerca de 10,52 milhões de hectares plantados e outros 7 milhões conservados, com investimentos previstos de R$ 105 bilhões até 2028.

Perspectivas e Mercado Internacional

Embora o mercado voluntário tenha oscilado, a demanda internacional, impulsionada pelo Acordo de Paris, é vista como o principal vetor para os créditos brasileiros. Adriana Maugeri, da Amif, destaca que a dualidade entre produção e conservação é uma singularidade nacional que pode duplicar o potencial de créditos. Outras alternativas incluem os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que aliam produção de alimentos à retenção de carbono. No entanto, o setor deve enfrentar os riscos das mudanças climáticas, que podem reduzir a produtividade em até 30% em algumas regiões, exigindo investimentos contínuos em pesquisa e adaptação genética.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/setor-florestal-pode-transformar-potencial-do-mercado-de-carbono-no-brasil/

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