Condenado e preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou a força eleitoral do sobrenome familiar durante o pleito. Embora Valdemar Costa Neto, presidente do PL, preferisse Michelle Bolsonaro como candidata à Presidência, e partidos do Centrão (União Brasil, PP e Republicanos) apostassem no governador Tarcísio de Freitas, sondagens mostravam que qualquer candidato com o sobrenome Bolsonaro teria bom desempenho. A palavra final coube ao ex-presidente, que decidiu escalar o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, para a disputa.
Mesmo recluso, Jair Bolsonaro exerceu forte papel de cabo eleitoral. A estratégia de candidaturas desenhada pelo ex-presidente assegurou a eleição de familiares: a esposa Michelle e o filho Carlos conquistaram vagas no Senado, enquanto o caçula Jair Renan e o irmão Renato (após sete tentativas) garantiram cadeiras na Câmara. No Distrito Federal, Michelle tornou-se a candidata mais votada da história local.
A condição de prisão do ex-presidente funcionou como mote para impulsionar uma bancada expressiva de deputados e senadores, muitos eleitos com a promessa de apoiar a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A partir de 2027, o PL contará com 28 senadores e 121 deputados, habilitando-se a disputar a presidência de ambas as Casas legislativas.
O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), aponta que o sobrenome transformou-se em uma marca eleitoral que comunica identidade política e posicionamento ideológico. Já o professor Thomas Conti, do Insper, avalia que a aposta de Jair Bolsonaro em benefício da família obteve êxito.
Aliados já projetam desdobramentos políticos futuros, incluindo uma possível candidatura presidencial de Jair Bolsonaro em 2030 caso Flávio vença o pleito e ocorram mudanças jurídicas ou indultos. Por outro lado, Flávio Bolsonaro tentou conter os ânimos ao propor o fim da reeleição com extensão a parentes, enquanto analistas e especialistas discutem as complexidades constitucionais e jurídicas envolvidas no cenário.
