Sobreviventes e integrantes da comunidade judaica no Brasil se reuniram na manhã desta quarta-feira (7), no Memorial às Vítimas do Terrorismo, situado no Cemitério Israelita de Embu das Artes (SP), para um ato solene em memória aos três anos do ataque do Hamas em Israel. O atentado, ocorrido em 7 de outubro de 2023, resultou na morte de cerca de 1.200 israelenses e fez 251 reféns.
O evento na Grande São Paulo contou com as presenças de Rafael Zimermann, de 30 anos, que sobreviveu ao ataque ao Festival Nova (uma rave em Israel), e de Maurício Wenick, de 23 anos, soldado israelense que atuou na ofensiva. Lideranças comunitárias e religiosas, escolas judaicas e representantes da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), da Federação Israelita de São Paulo e do Instituto Brasil-Israel também participaram da cerimônia, que incluiu corais, rezas e o acendimento de velas.
Célia Parnes, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, destacou o objetivo do encontro: “Nó estamos trazendo as escolas, trazendo a comunidade judaica e toda a sociedade maior para um alerta e uma lembrança do que aconteceu há três anos atrás, mas especialmente fazendo um alerta importante contra o possível aumento ao antissemitismo. A gente vê isso acontecendo no mundo e a gente não pode admitir que seja importado aqui para o Brasil”.
Relatos dos sobreviventes
Em entrevista à CNN Brasil, Maurício Wenick relembrou que dormia na base militar quando recebeu a ligação da mãe informando sobre os ataques. Logo depois, foi convocado por oficiais para atuar no Kibbutz Kfar Aza. Ele e outros 11 soldados enfrentaram 140 integrantes do Hamas, sendo um dos poucos sobreviventes a sair sem ferimentos físicos.
“Eu lembro das cenas brutais, eu lembro do cheiro, dos barulhos e dos sons. Hoje fazem três anos, mas para mim me lembro como se fosse ontem. Então, eu lembro a cada segundo”, relatou o soldado.
Rafael Zimermann estava no Festival Nova com dois amigos quando ouviram mísseis e buscaram abrigo em um bunker com capacidade para 15 pessoas, onde cerca de 40 israelenses se esconderam. De acordo com seu relato, dois policiais israelenses lutaram contra 30 terroristas. Zimermann viu os amigos morrerem e sobreviveu fingindo estar morto.
“Eu lembro muito bem da risada dos terroristas, eles riam, tinham prazer em fazer aquilo. [...] Meninas foram estupradas, bebês foram mortos. É ódio e intolerância”, declarou Zimermann.
Durante o evento, os dois sobreviventes palestraram em defesa do apoio à comunidade judaica, da educação como caminho para a paz e do fim do antissemitismo. “A gente tem que educar. Acho que a educação é o caminho para a paz. E educar significa ouvir, ouvir o próximo, mesmo que você não tenha uma opinião igual aquela pessoa. Você tem que ouvir. Você pode não concordar, mas você tem que ouvir”, afirmou Rafael. Já Maurício complementou: “Eu acho que eu estou hoje onde os meus amigos que se faleceram e aquelas crianças queriam que eu estivesse. Eu acho que eu preciso estar bem para honrar a memória deles. Então eu sei que eu sobrevivi para honrá-los”.
Contexto histórico
O dia marca três anos do atentado mais letal da história recente de Israel e da comunidade judaica desde o Holocausto. Na manhã de 7 de outubro de 2023, durante um feriado judaico, o Hamas iniciou ações na Faixa de Gaza com foco principal no Festival Nova. A ofensiva deu início ao conflito entre Israel e Palestina e gerou uma grave crise humanitária global.
