A europeia Mistral, sediada em Paris, apresentou na terça-feira (6) o seu novo modelo de inteligência artificial chamado ML4, apontado pela empresa como o melhor modelo aberto do mundo. A categoria refere-se a sistemas que disponibilizam seu funcionamento interno para uso e modificação por terceiros.
Segundo Pierre Stock, vice-presidente de Ciência da Mistral, o novo sistema está "no mesmo nível" dos modelos fechados mais conhecidos de grandes empresas do setor em áreas fundamentais como defesa cibernética, finanças e tarefas de manufatura. Stock afirmou que o modelo foi construído utilizando uma fração do poder computacional dos concorrentes, reduzindo custos tanto para a empresa quanto para os clientes. A capacidade e os custos alardeados pela companhia, contudo, não puderam ser verificados de imediato.
A Mistral enfrenta um mercado competitivo que já conta com empresas chinesas como Alibaba, DeepSeek e Z.ai, além do lançamento recente do modelo Beam, da startup norte-americana Reflection. A ascensão dessas iniciativas busca responder se os modelos abertos conseguem rivalizar com os sistemas de gigantes como OpenAI e Anthropic, e se o Ocidente consegue concorrer com a China pela preferência de desenvolvedores e governos.
O CEO da Mistral, Arthur Mensch, destacou em entrevista que o modelo mais recente foi inteiramente construído e treinado na Europa, o que permite escapar do duopólio formado por China e Estados Unidos, atendendo a uma grande demanda por fornecedores alternativos de tecnologia.
Enquanto sistemas amplamente conhecidos, como o ChatGPT da OpenAI, o Claude da Anthropic e o Gemini do Google, adotam o modelo fechado sem divulgar seus parâmetros e pesos subjacentes, os modelos abertos permitem personalizações específicas. Essa característica é apontada como essencial para empresas que lidam com dados confidenciais e precisam operar o sistema em infraestrutura própria, evitando o envio de informações a provedores externos.
Para impulsionar o desenvolvimento, a Mistral anunciou no mês passado a captação de mais de US$ 3,3 bilhões, somando mais da metade dos US$ 6 bilhões arrecadados desde sua fundação, há três anos. Embora o montante seja inferior aos mais de US$ 300 bilhões acumulados por OpenAI e Anthropic, a empresa aponta que a restrição de recursos estimulou a inovação por meio de menor poder computacional.
No cenário norte-americano, a Reflection — financiada pela Nvidia e por firmas como a 1789 Capital, de Donald Trump Jr. — também aposta em custos reduzidos e recursos robustos com o modelo Beam. O setor de modelos abertos ainda conta com a participação de empresas como Cohere e Thinking Machines Labs, além do respaldo de autoridades governamentais nos Estados Unidos.
