Cientistas dinamarqueses detectaram que o submarino alemão UC-30, naufragado em abril de 1917 no mar do Norte, está liberando TNT no ecossistema marinho devido à corrosão progressiva de seu casco. A embarcação repousa a 30 metros de profundidade, próximo à ilha dinamarquesa de Rømø, e afundou após colidir com uma mina britânica, levando à morte de 27 tripulantes.
O submarino carregava 18 minas e 6 torpedos. Mais de um século depois, pesquisadores da Universidade de Aarhus, liderados pela professora Katrine Juul Andresen, coletaram amostras na região e encontraram traços de TNT em estrelas-do-mar, mexilhões, no leito oceânico e na coluna d'água, indicando uma contaminação de fonte localizada.
Escala de naufrágios e desafios ambientais
Um levantamento da Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental registrou 10.127 embarcações naufragadas em águas do país, sendo que cerca de 15% correspondem aos períodos das duas guerras mundiais. O caso do UC-30 é estudado dentro do projeto NorthSeaWrecks e atende às exigências da Diretiva Marco da Água da União Europeia para identificar quais naufrágios representam maiores ameaças ambientais.
Retirar ou detonar munições submersas apresenta altos custos, complexidade técnica e riscos de espalhar contaminantes. Como alternativa, o projeto europeu REMARCO desenvolve robôs submarinos para monitorar, cartografar e, eventualmente, recolher materiais para neutralização fora da água, priorizando os locais de maior risco.
Histórico do UC-30
O UC-30 retornava à Alemanha em abril de 1917 após abortar uma missão para a Irlanda devido a falhas no motor. Em 19 de abril, atingiu uma mina britânica, resultando no afundamento imediato. O pecio permaneceu oculto até 2016, quando o mergulhador dinamarquês Gert Normann Andersen o localizou.
