Quem pretende adquirir um ar-condicionado para enfrentar o próximo verão pode economizar consideravelmente se antecipar a decisão de compra. Segundo estimativas da indústria, um aparelho de 9.000 BTUs — unidade que mede a potência e capacidade de refrigeração —, que custa cerca de 1,9 mil reais durante o inverno, pode atingir o valor de aproximadamente 2,2 mil reais em dezembro. Além do equipamento, o custo da instalação também tende a subir, podendo passar de 700 reais para mil reais no período de maior procura. Na prática, o investimento total saltaria de 2,6 mil reais para cerca de 3,2 mil reais.
O impacto financeiro é ainda mais expressivo em equipamentos de uso comercial. Daniel Fraianeli, gerente de produtos da TCL SEMP para ar-condicionado comercial, estima que uma instalação orçada hoje em 3 mil reais pode chegar a 4 mil reais durante o verão, representando uma alta de aproximadamente 30%. Nesse setor, a busca por novos aparelhos costuma crescer quando o calor extremo revela falhas em sistemas antigos ou em equipamentos que já não dão conta de climatizar os ambientes de forma adequada.
Este cenário ganha contornos de urgência devido à previsão de um El Niño muito forte para os próximos meses. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta temperaturas acima da média para o segundo semestre, com risco elevado de ondas de calor. O CPC, órgão vinculado à NOAA, estima uma probabilidade superior a 90% de um evento climático de grande intensidade no trimestre entre setembro e novembro. Para o mercado de climatização, a expectativa é de que as altas temperaturas impulsionem o volume de negócios.
Álvaro Ruoso, gerente de produtos da TCL SEMP para ar-condicionado residencial, prevê um aumento de cerca de 20% no sell-out — as vendas diretas do varejo ao consumidor — no segundo semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior. Ruoso destaca que o efeito climático deve se unir ao baixo nível de saturação do mercado no país: menos de 20% dos domicílios brasileiros possuem ar-condicionado. Para ele, o potencial de crescimento da categoria é gigantesco.
Preço menor antes do verão
O momento atual é considerado favorável para o consumidor porque o varejo ainda possui estoques remanescentes de um verão anterior mais ameno, caracterizado por maior incidência de chuvas e poucas ondas de calor. Ruoso explica que esse excedente de produtos contribuiu para a redução dos preços, com aparelhos custando, em média, 10% menos do que no início do ano, quando a temporada de calor mantinha a demanda aquecida.
No entanto, essa vantagem competitiva pode desaparecer em breve. Além da sazonalidade, a indústria lida com a alta nos custos de matérias-primas essenciais, como cobre, alumínio, resinas plásticas e compressores, além do encarecimento do transporte. A tendência é que parte desses custos seja repassada ao varejo e chegue ao consumidor final. Existe também a questão logística da instalação: um serviço residencial dura cerca de três horas, fora o deslocamento. Com a explosão da demanda nos meses quentes, as agendas dos técnicos ficam lotadas, o que inflaciona os preços do serviço.
Eficiência entra na conta
Ao escolher um aparelho, o consumidor deve avaliar não apenas o preço de aquisição e instalação, mas também o custo de operação. Modelos modernos são significativamente mais eficientes; Ruoso afirma que equipamentos atuais de alta eficiência podem consumir de 70% a 75% menos energia do que modelos antigos, principalmente devido ao uso de compressores de velocidade variável.
A escolha ideal depende do perfil de uso. Para climatizar um cômodo ocasionalmente, um modelo de entrada pode ser suficiente. Já para quem pretende manter o aparelho ligado por longos períodos, a eficiência energética deve ser a prioridade. Adicionalmente, recursos de conectividade, automação e inteligência artificial estão cada vez mais presentes em diversas faixas de preço, oferecendo maior controle ao usuário.
A economia de energia é vital em cenários de calor extremo. Fraianeli ressalta que as altas temperaturas fazem o equipamento operar por mais tempo justamente quando a tarifa de energia pode sofrer aumentos. Portanto, investir em aparelhos mais eficientes é uma estratégia de economia dupla para residências e comércios. Segundo Ruoso, o melhor momento para a compra é agora, aproveitando a combinação de baixa demanda e excesso de oferta.
